A juventude merece viver

Segundo a Organização Pan Americana de Saúde (Opas), metade dos transtornos mentais e adoecimento psíquico apresentam seus primeiros sinais e sintomas aos 14 anos de idade. Muitos desses casos não são tratados, sendo muitas vezes vistos como frescura ou coisa de adolescente ‘rebelde e preguiçoso’, o que só piora as consequências e o estágio desse adoecimento.


Sabemos que a depressão já é a doença mais incapacitante do mundo, ou seja, a principal causa de afastamento do trabalho e da vida social de milhões de pessoas. Mas isso não nos causa surpresa, sabendo que vivemos num sistema que não dá nenhuma perspectiva para a juventude.


Estudos mostram que 27,1% dos brasileiros entre 15 e 29 anos estão fora das escolas/universidades e não trabalham. Dos que estão à procura de emprego 70% dizem encontrar muita dificuldade. Como se não bastasse, é a juventude a maior vítima de assassinatos, estupros e outros crimes violentos. A pandemia escancarou a falta de perspectiva da juventude dentro do capitalismo.


Além do aumento da depressão e ansiedade, dados da Opas registram crescente ocorrência de suicídios entre jovens de 15 a 24 anos no continente americano. No Brasil, dados do Setembro Amarelo, iniciativa criada com o apoio da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) com o objetivo de alertar para a prevenção do suicídio, registra que cerca de 12 mil suicídios acontecem todos os anos no país, e crescendo bastante entre os jovens, principalmente os suicídios relacionados a doenças mentais como depressão, transtorno bipolar e também abuso de drogas.


Mas, de acordo com a ABP, o suicídio pode ser evitado, segundo o estudo com tratamento é possível prevenir nove entre dez destas mortes. “Para prevenir o suicídio, em qualquer idade, não basta apenas falar ou acolher. É preciso agir e tratar”. Devemos cuidar da nossa juventude, ficar atento aos sinais e sintomas de que as coisas não estão bem para acolher e ajudar a procurar um tratamento médico adequado.


Ao perceber que alguém ao nosso lado está se isolando (inclusive dos amigos e das atividades sociais), está excessivamente irritado, parece sempre triste, está com dificuldade de realizar atividades que antes fazia com facilidade, está sempre ansioso, muda o humor além do habitual ou tem apresentado desregulação do sono, devemos nos alertar.


Principalmente quando esses sintomas se apresentam entre os nossos companheiros, é preciso ter ainda mais atenção e camaradagem. Os comunistas não estão imunes a desenvolver esses transtornos, muito pelo contrário. O fato de ter consciências das mazelas em que vive nosso povo pode ser um fator que contribui para o desenvolvimento dessas doenças que estão relacionadas a tristeza, depressão, ansiedade e pânico. Afinal de contas, é difícil ser feliz num mundo em que milhões de pessoas não têm o que comer todos os dias.


Por isso, lutar para a construção de uma nova sociedade é uma tarefa central daqueles que não querem mais ver nossa juventude entregue a transtornos mentais e psiquicamente adoecidos. Cuidemos uns dos outros e reforcemos nosso compromisso de construir uma sociedade onde uma mente saudável e a felicidade sejam uma realidade para todos e todas.

O que é o Setembro Amarelo?


Desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM, organiza nacionalmente o Setembro Amarelo. O dia 10 deste mês é, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.




BIA MARTINS

Membro da Coordenação Nacional da UJR e estudante de Psicologia