A vida dos jovens negros: liberdade já! Basta de racismo!

A formação da nação brasileira impôs uma classe trabalhadora marcada pelo racismo. O racismo é uma ideologia de dominação, que surge e se desenvolve com a exploração do homem pelo homem, e está assentado nas bases do imperialismo capitalista.


O grupo paulistano de rap Racionais MC’s, ícone da cultura negra no país, conquistou projeção nacional na década de 90 cantando o duro cotidiano das periferias brasileiras e do sistema carcerário. Em suas letras, o grupo denunciava os impactos da violência e da exclusão social contra a população negra no Brasil. Na música Capítulo 4, Versículo 3, do Sobrevivendo ao Inferno (1997), o rapper Primo Preto recita: “60% dos jovens de periferia sem antecedentes criminais já sofreram violência policial / A cada quatro pessoas mortas pela polícia, três são negras / Nas universidades brasileiras, apenas 2% dos alunos são negros / A cada quatro horas um jovem negro morre violentamente em São Paulo”. De lá para cá, o que mudou na vida do jovem negro?


A cada quatro mortos pela polícia, três são negros


Passados 24 anos, o índice permanece o mesmo. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou relatório em 2020 demonstrando que 74,4% das 39.561 vítimas de homicídio eram negros. O índice sobe para 79,1% quando o responsável do assassinato foi um policial. As principais vítimas das intervenções policiais são homens negros (79,1%) e jovens de até 29 anos (74,3%). Com efeito, a cada dez mortos pela polícia brasileira, oito são negros.


A cada quatro horas, um negro morre violentamente


O Atlas da Violência revela que assassinatos de negros cresceu 11,5% em 10 anos. Para cada pessoa branca assassinada em 2018, 2,7 negros foram mortos, representando 75,7% das vítimas. A taxa de homicídio a cada 100 mil habitantes foi de 13,9% entre brancos e 37,8% de negros. A quantidade de mulheres negras mortas pela violência também subiu 12,4%, relativa à de mulheres brancas que reduziu 11,7%. Ao todo, 30.873 jovens na faixa etária entre 15 e 29 anos foram mortos, equivalente a 53,3% dos casos. A campanha Jovem Negro Vivo, promovida pela Anistia Internacional, resume essa chocante situação: 30 mil por ano, 2.500 por mês, 83 por dia, 7 a cada duas horas, 77% são jovens negros.


Nas universidades brasileiras, apenas 2% dos alunos são negros


O único dado que teve alguma mudança. Entre 2014 e 2018, o número de negros nas universidades subiu quase 75%, representando 38,15% de todo o corpo discente. A quantidade de docentes também aumentou, mas apenas 8%. Apesar dos avanços obtidos pela luta e a política de cotas implementadas nas universidades nos últimos 15 anos, os negros representam o maior índice de evasão universitária. Para uma população que é maioria em nosso país (cerca de 57% dos brasileiros se consideram pardos e pretos), o acesso e a permanência no ensino superior ainda é um grande desafio.


Liberdade já! Basta de racismo!


A formação da nação brasileira impôs uma classe trabalhadora marcada pelo racismo. O racismo é uma ideologia de dominação, que surge e se desenvolve com a exploração do homem pelo homem, e está assentado nas bases do imperialismo capitalista. Na luta de classes da minoria de exploradores com a maioria dos explorados, o racismo favorece sempre a classe dominante, a burguesia. Enquanto isso, divide a classe trabalhadora e enfraquece sua unidade e luta, além de destruir a estima, a cultura e a tradição do povo negro. O escravismo, a justiça racista, a segregação de espaços e territórios, a violência, etc., são mecanismos que o Estado burguês utiliza para manter essa sociedade racista.


O racismo possibilita, ainda, a superexploração de todos os trabalhadores, pois aumenta a jornada de trabalho, reduz salários e reserva piores postos de trabalho e altos índices de desemprego aos trabalhadores negros, em sua maioria mulheres e jovens.


Somente com o poder popular e o socialismo, em uma sociedade baseada na justiça, paz, democracia popular, coletividade e reparação histórica, podemos superar esse inferno de genocídio, violência, desigualdade e supremacia racial.




MATHEUS NUNES

Membro da Coordenação Nacional da UJR