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Ditadura nunca mais! Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça!

Na década de 1960, quando começava a ser organizado o golpe militar no Brasil, o mundo vivia uma grande polarização política. De um lado, uma sociedade baseada na exploração do homem pelo homem: o capitalismo; e, de outro, a sociedade que se estruturava a cada dia para se tornar completamente livre, o socialismo. Nessa disputa política, econômica e social, além da União Soviética (URSS), Cuba caminhava para a liberdade, criando uma outra perspectiva para o futuro da América Latina.


Ao mesmo tempo, no Brasil, o povo ia às ruas para defender as Reformas de Base de João Goulart marcadas por bandeiras históricas como a reforma agrária, reforma educacional e fiscal. Um grande momento na vida político-social na busca por direitos e, por mais que não tivesse um caráter revolucionário, com o objetivo de caminhar para construção do socialismo na América Latina, o governo de Jango se tornou uma ameaça à agenda imperialista.  Os Estados Unidos, aliado a burguesia internacional e nacional, junto aos militares, organizaram um golpe, dando início a anos de perseguição política, assassinatos e tortura a jovens e trabalhadores que se opunham ao regime militar fascista. Além da implementação da censura imposta a meios de comunicação e a artistas. Por memória, verdade e justiça A ditadura significou para aqueles que acreditavam em um projeto democrático, e não se ajoelharam diante do autoritarismo, décadas de vida na clandestinidade por organizarem movimentos e ações de embate direto pela derrota do regime militar.  Foram anos de revolta e resistência popular, a exemplo disso tem-se a passeata dos 100 mil, primeira grande mobilização contra o regime, realizada após a morte do estudante secundarista Edson Luís, assassinado enquanto protestava pela diminuição do preço do prato de comida no restaurante Calabouço no estado do Rio de Janeiro. Vale ressaltar também as greves estudantis organizadas contra prisão de Edval Nunes Cajá, enquadrado na Lei de Segurança Nacional, sob acusação de organizar o Partido Comunista Revolucionário (PCR), um dos partidos considerados inimigos do regime militar, entre tantas outras mobilizações que mostraram a indignação do povo frente os ataques autoritários.    


O sistema capitalista sempre demonstrou sua insuficiência na construção da democracia, seja através do processo de ditaduras que vivemos no Brasil ou mesmo nos casos recentes de impeachment de Dilma, em 2016, e também da eleição do fascista Bolsonaro em 2018, defensor da ditadura militar, apoiado pela burguesia e que teve uma campanha construída a partir de "fake news", ambos acontecimentos com o objetivo de aprofundar a retirada de direitos da classe trabalhadora e de aumentar os lucros dos capitalistas. Vale ressaltar que durante os anos dos governos progressistas, mesmo com uma Presidenta que foi presa e torturada por militares, o Brasil não abriu os arquivos da ditadura (1964-1985) e foi acusado por descumprir a Convenção Americana de Direitos Humanos pela Corte Interamericana de Direitos Humanos pela falta de comprometimento no julgamento dos autores de homicídios, ocultação de cadáver, torturas e outros crimes.

No último 31 de março, o Ministério da Defesa do governo Bolsonaro lançou um boletim afirmando que a ditadura foi um "marco para democracia". Em junho de 2019 esse mesmo governo demitiu todos os peritos do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura ao mesmo tem que seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, defendeu a volta do AI-5, considerado uma das piores faces da ditadura militar. O descaso dos poderes executivo, legislativo e judiciário e a falta de responsabilização por parte do Estado, demonstram não só a falta de remorso por décadas sombrias, mas também a perigosa possibilidade desses acontecimentos nefastos voltarem a acontecer. Por isso, é necessário o combate a todos os resquícios da ditadura no país, como a Polícia Militar, ainda ligada às forças armadas, treinada para guerra, mas que lida com civis e tem sido responsável por inúmeros assassinatos, em sua maioria de jovens negros e pobres. Essa lógica policial arrasta consigo torturas, maus tratos, sequestros contra a população.  Que possamos enxergar os anos do regime militar como foram, e que lutemos como fizeram os milhares de lutadores durante a ditadura! Muitos desses brasileiros  até hoje não tiveram seus restos mortais encontrados e, por eles, que os familiares e outros sobreviventes do período  defendem a punição imediata dos responsáveis por tais crimes.  Pela memória de todos aqueles que dedicaram suas vidas por uma sociedade mais justa e pelo fim da covarde ditadura militar! Pela construção da história reconhecendo e saudando os verdadeiros heróis comunistas e revolucionários, com a honra que merecem - como Manoel Lisboa de Moura, Emmanuel Bezerra dos Santos, Manoel Aleixo, Amaro Luiz de Carvalho e Amaro Félix Pereira fundadores do PCR e exemplos de luta e resistência. Nós, da União da Juventude Rebelião não deixaremos de levantar as bandeiras por abertura dos arquivos da ditadura e pela punição dos assassinos e torturadores. A luta contra o fascismo é atual e necessária O golpe de 2016 intensificou a atuação da grande burguesia internacional e nacional no Brasil, a partir da substituição de um governo social democrata por um governo que tivesse alinhado aos seus interesses, assim como também com a eleição de Bolsonaro em 2018, com objetivo de dar continuidade a essa agenda neoliberal de ataques e retiradas de direitos do nosso povo.


Se a justiça burguesa funcionasse, não faltariam elementos para o atual presidente estar preso, como por exemplo, seus discursos e comportamentos fascistas. Bolsonaro sempre fez declarações machistas, racistas, LGBTfóbicas e também defende abertamente a ditadura militar e a tortura, expondo seu caráter fascista. Sua atuação é reflexos da impunidade pós ditadura militar. Enquanto presidente seus ataques passaram de discursos de ódio à medidas que põe em risco a saúde, a vida e o bem estar da população. Seu decreto de armas evidencia, mais uma vez, seu descaso com a vida do povo. Além disso,  retirou da Funai a atribuição de demarcar as terras indígenas e a transferiu tal competência para o Ministério da Agricultura. Bolsonaro também vai contra a produção da ciência no país e está, junto com sua família, envolvido em vários casos de corrupção. Seu governo já demonstrava que era fraco e incompetente, mas com a situação da pandemia do COVID-19, em que foi colocado em risco a saúde, o bem-estar e o futuro da maioria do nosso povo, esse quadro ficou mais expressivo, aumentando a sua rejeição. Diante de inúmeras derrotas nos mais diversos espaços da sociedade, o presidente e sua corja aumentaram o tom das ameaças ao funcionamento dos demais poderes representados pelo STF e Congresso Nacional, declararam que a solução para os problemas do executivo seria o fechamento dessas instituições a partir de uma intervenção militar garantida por seu aparelho repressivo. 

No entanto, Bolsonaro é duramente rechaçado e mesmo diante da pandemia várias mobilizações antifascistas têm acontecido no país. O povo brasileiro já sabe o que esse governo representa, sabe também  que  o caminho é derrotar o vírus e o fascismo, derrubando Bolsonaro e construindo um governo popular. Não é tempo de recuar Essas experiências mostram o caráter e a vontade revolucionária dos brasileiros e de todo povo latino americano. O nosso papel enquanto comunistas, como em todo momento histórico, é sermos instrumentos do nosso povo, organizando suas lutas e denunciando as atrocidades desse sistema e de seus fantoches que só servem aos seus interesses. Cabe a nós também mostrar que a única saída ao avanço do fascismo e a um sistema que mata milhões de fome é o enfrentamento direto com guerra aos ricos pela revolução socialista. Que continuemos por mais grandes jornadas de luta e organizações populares no caminho de uma sociedade livre. O povo vai esmagar o fascismo! Fora Bolsonaro! Por um governo popular! Pela abertura dos arquivos da ditadura e punição aos torturadores! Ditadura nunca mais! Manoel Lisboa vive!

Viva o socialismo!

Camile Gonçalves

Militante da UJR

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