O mundo tem acompanhado os efeitos do terremoto no Haiti que, segundo dados do governo, deixaram mais de 230 mil mortos, 2 milhões de desabrigados e 75% das construções destruídas no país.
Contudo, a grande mídia a serviço dos ricos tem aproveitado esse momento para atribuir a pobreza e miséria imposta aos haitianos às desgraças naturais e ao encontro das placas tectônicas na região. Nada mais falso! O capitalismo e a sede de lucro do imperialismo são os grandes responsáveis pelo sofrimento e a exploração do povo no Haiti.
A antiga colônia francesa é hoje o país mais pobre das Américas. Possui 80% da população vivendo abaixo da linha de pobreza, 70% dos trabalhadores desempregados, expectativa de vida de apenas 51 anos e um imenso controle de sua economia por parte dos EUA e seus grupos econômicos. A dependência faz com que o país enfrente uma grave crise alimentar, tendo que importar alimentos enquanto mantém-se como grande exportador de açúcar, repetindo o modelo de colonização dos séculos passados.
Vítima de sucessivos golpes, o Haiti viveu uma das mais sangrentas ditaduras do continente entre 1957 e 1986, liderada pelo Papa Doc e Baby Doc com declarado apoio norte-americano. Em 2004 teve o seu presidente eleito Jean-Bertrand Aristide deposto em mais uma intervenção norte-americana, desde então a ONU criou a “missão” Minustah, formada por 40 países e coordenada pelo Brasil que enviou milhares de soldados para manter os interesses imperialistas.
Nesse momento de sofrimento e de comoção internacional o que temos visto no Haiti é mais uma descarada tentativa de aumentar a intervenção e o domínio sobre o país. O número de soldados enviados não para de crescer. O Brasil duplicou o seu efetivo e os EUA mandaram cerca de 20.000 soldados, tudo isso para dar continuidade a seus planos de militarização na América Latina, com a construção de novas bases militares, reativação da 4° Frota Naval e o apoio a governos golpistas, como no caso recente de Honduras.
Para se ter uma idéia, nos cinco anos de ocupação foram gastos US$ 5 bilhões, sendo que 85% desse valor é referente a salários, uniformes, alimentação e armamentos dos soldados. A ajuda humanitária que o povo do Haiti precisa é do envio de remédios, médicos, alimentos, engenheiros e recursos para a reconstrução do país, e não de mais soldados ou balas contra suas crianças e jovens para manter os lucros dos capitalistas.

Mas a história de lutas do Haiti é muito rica e mostra a disposição desse povo para ser verdadeiramente livre. Em 1804, o Haiti tornou-se a primeira república negra do mundo e o primeiro país latino-americano a declarar sua independência após derrotar o imperialismo francês, e por cinco vezes já expulsou tropas invasoras norte-americanas de seu território.
A União da Juventude Rebelião (UJR) se solidariza e se soma às milhares de manifestações de apoio e pesar às vítimas dessa tragédia, e principalmente, se coloca ao lado do povo haitiano para superar a maior de todas as tragédias, a exploração do homem pelo homem em seu odioso sistema imperialista e construir uma pátria livre, democrática e soberana.
ABAIXO À INTERVENÇÃO IMPERIALISTA NO HAITI!






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