Cultura Revolucionária
Arte para Revolucionar
Manifesto da UJR à 5ª Bienal da UNE
A participação da juventude na luta popular pelo Socialismo e por transformações na sociedade sempre foi marcante. A generosidade, o sonho, o sentimento de profunda solidariedade humana e a vontade de revolucionar são características das aspirações de muitas gerações, em todas as partes do mundo e do Brasil, que lutaram e ergueram sua voz de rebeldia por liberdade e justiça social.
No Brasil esse espírito de combatividade marcou boa parte da história dos estudantes que se organizaram e expressaram sua indignação e vontade de mudar através das entidades estudantis, cabendo à União Nacional dos Estudantes (UNE) canalizar esses sentimentos. Dentro da UNE, na maioria de sua existência, sempre se reuniram as mais variadas tendências e matizes da esquerda brasileira, constituindo um movimento estudantil forte, vigoroso, atuante e combativo. E toda a força que a entidade demonstrou, especialmente nos anos 60, 70 e 80, representou o verdadeiro anseio da juventude brasileira.
Lutando por uma cultura revolucionária
O Centro Popular de Cultura da UNE (CPC) foi o instrumento de agitação política e criatividade de milhares de jovens dispostos a construir a sociedade socialista; de estudantes que acreditaram nas idéias de Marx, Lênin e Che Guevara.
A experiência prática do CPC teve início num pequeno espaço na Escola de Arquitetura da UFRJ e proliferou por todo o Brasil, levando teatro, música, cinema, filosofia, conclamando os estudantes à luta em defesa da universidade pública, pelo fim do vestibular, pela reforma agrária, pelo fim da ditadura militar.
Mas o CPC não se limitava a atuar apenas nos espaços acadêmicos. Procurava atingir a grande massa proletária, os intelectuais de esquerda, formadores de opinião, as ruas e as praças. A UNE Volante em ação levou os diretores da entidade a todos os estados do país, intensificando o elo da teoria marxista com a prática revolucionária. Uma arte comprometida com um mundo novo.
Com a UNE Volante atuando de forma combativa, ampla e conseqüente, os frutos foram notáveis. Uma das principais propostas nascidas nesse processo de discussão foi a reforma universitária, onde, entre outras lutas, levantou-se a bandeira para que os estudantes tivessem um terço nas representações dos órgãos colegiados das universidades. Como resultado prático desse trabalho, estourou nacionalmente a Greve do 1/3.
Enquanto isso, a turma do CPC realizava um intenso trabalho cultural de agitação e propaganda política, encenando a peça O Auto dos 99%, de Vianinha, que denunciava a exclusão de 99% da população brasileira do ensino superior e combatia o sistema de ingresso pelo vestibular, exigindo uma universidade aberta e o livre acesso de todos à universidade pública.
A criatividade e a inquietação permanente dos integrantes do CPC tiveram efeito profundo no cotidiano e nas ações do movimento estudantil. Uma rebeldia que produziu resultados estimulantes, tanto para a luta em defesa do ensino público quanto para uma jovem e instigante geração de artistas que estava pulsando à margem da sociedade burguesa.
O CPC da UNE nunca escondeu seus objetivos de despertar a consciência da juventude e fazer uma revolução no Brasil. Por isso, foi intensamente atacado nas páginas do jornal O Globo, acusado de panfletário e de propagar as idéias de esquerda. O CPC selou as bases políticas e ideológicas para a resistência dos estudantes à ditadura militar.
Com o passar do tempo, fica evidente a riqueza intelectual, material e humana deixada como legado de trabalho pelo CPC da UNE.
A cultura atual da UNE
Hoje, infelizmente, a atual diretoria da UNE, abandonou, na prática, a rica experiência do CPC, alegando que os tempos são outros, apesar de a classe que nos oprime ser a mesma das décadas anteriores, e do crescente desespero do imperialismo, que se impõe através das regras econômicas e da política de guerras do governo de George Bush.
Pior: utiliza a Bienal como espaço para fazer acordo com a Rede Globo (o festival montado na novela Coração de Estudante é um exemplo lamentável). A entrega, também para a Rede Globo, dos documentos e da memória do movimento estudantil, consiste num retrocesso e numa conciliação absurda.
A União da Juventude Rebelião repudia qualquer ação de aliança com aqueles que são os responsáveis pela miséria e pela exploração de milhões de brasileiros, e conclama a juventude universitária a lutar por uma arte engajada, realista e sem conciliações com as classes dominantes e seus aparelhos ideológicos.
União da Juventude Rebelião (UJR)
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