Arquivo por categoria: Mulheres

Abaixo os trotes machistas nas universidades

Um garoto, de pé, segura por uma coleira três garotas que estão agachadas na sua frente. Parece brincadeira (de muito mal gosto), mas esta cena emblemática e deplorável ocorreu durante o famigerado “trote” de uma tradicional universidade privada da cidade de São Paulo. Emblemática porque ilustra a situação de subjugação da mulher na sociedade. Deplorável porque corrobora e propaga ainda mais o machismo dentro das universidades.

O ambiente universitário deveria ser, por excelência, ambiente de expansão de mentes e quebra de preconceitos. DEVERIA. Porém, em alguns casos ocorre exatamente o contrário. Tornou-se famoso, por exemplo, o caso do “rodeio das gordas” em um trote de uma universidade pública. A aparente “brincadeira” ilustra como a nossa sociedade é regida por padrões que afetam principalmente as mulheres. Qualquer uma que não seja esquálida ou tenha o corpo torneado torna-se alvo de piadas e exclusão social, como na situação citada acima. Existem, ainda, inúmeros relatos de mulheres que foram estupradas por veteranos após terem sido alcoolizadas pelos mesmos durante esses momentos de “inofensiva distração e integração entre calouros e veteranos”.

Experiências deste tipo ocorrem, normalmente, durante os trotes, todavia, não são exclusividade deste. Outro caso que ganhou notoriedade foi o da aluna que, por ir à faculdade com um curto vestido rosa, foi hostilizada pelos demais alunos, tendo que ser, inclusive, escoltada até a saída. Existem ainda inúmeras outras situações que, apesar de não ganharem a atenção da grande mídia burguesa, são tão ou mais revoltantes. Casos recorrentes? Sem dúvidas. Normais? Não. (veja matéria relatando trote racista e machista na UFMG)

Qualquer tipo de discriminação não deve ser vista com naturalidade. Esse tipo de situação é somente um reflexo do que ocorre, todo dia, na sociedade. Porém, representam um retrocesso e uma anomalia que já deveriam ter sido superados há muito tempo. A simples entrada na faculdade não assegura à mulher igualdade de direitos, assim como seu ingresso no mercado de trabalho serve muito mais para servir à lógica do mercado do que para elevar o seu papel na sociedade.

A luta pelos direitos da mulher deve ser travada diariamente, seja nas ruas, nas universidades, nas fábricas. Porém, contra quem devemos lutar? Contra os homens? Contra os representantes religiosos? Ou será que o nosso inimigo é algo muito maior?

Se formos além da superfície do problema e analisarmos os fatos a fundo, perceberemos que todo e qualquer tipo de opressão que vemos hoje é consequência do nosso atual modo de produção: o capitalista. Enquanto vivermos em tal sistema, os preconceitos, intimidações e opressões continuarão, pois é exatamente sobre a divisão da sociedade em classes, antagônicas entre si, que se baseia a sua manutenção. O papel que as pessoas ocupam dentro do sistema produtivo é um fator determinante para o papel que exercerão na sociedade.

A luta dos oprimidos, sejam homens, mulheres, negros, brancos, héteros ou homoafetivos, que desejam livrar-se dos grilhões da exploração e lutar por um mundo mais justo tem o mesmo alvo. Portanto, se sua luta é pelo fim dos preconceitos e subjugações, sua luta é pelo comunismo. Só assim observar-se-à, não apenas nas universidades, mas na sociedade como um todo o fim das opressões e o surgimento de um mundo justo.

 Sofia Ramos, estudante de Direito do Mackenzie e militante da UJR.

 

A mulher e os meios de comunicação

cervejas-e-mulheres3Novelas que apresentam a violência contra as mulheres como um problema de fidelidade ou como briga de casais, programas humoristicos que mostram cenas de mulheres sofrendo assédio dentro do metrô – fato que acontece aos montes todos os dias e não tem nenhum sentimento de humor para as mulheres que são agredidas – publicidades que apresentam um estereótipo – impossível de ser alcançado pela maioria das mulheres do pais – de mulher magra, alta, branca e com os cabelos lisos, padrão que determina beleza e felicidade que as mulheres devem perseguir a qualquer custo.

A forma como a imagem da mulher é veiculada na mídia reforça preconceitos, naturaliza a violência contra a mulher, promove a mercantilização de seu corpo e reproduz estereótipos machistas e conservadores.

Um fator fundamental para determinar essa padronização da mulher e de seu papel na sociedade é o alto nivel de monopolização da comunicação no Brasil e o grande interesse de meia dúzia de famílias, que ditam as pautas e o que a mídia, seja ela escrita ou televisiva vai passar ao público. Ao todo são 9477 veiculos de comunicação, concentrados principalmente nas mãos de quatro grupos nacionais, sendo a REDE GLOBO o maior deles. Outro elemento que contribui com o bombardeio ideológico das mulheres é o interesse comercial, já que as mulheres são responsáveis por 85% do consumo no país.

A falta regulação e de pluralidade nas comunicações, beneficiam apenas os monopólios que as controlam, fazendo dos meios de comunicação a expressão das opiniões da classe dominante, que nada tem em comum com a vida e o cotidiano da maioria das pessoas que todos os dias tem a televisão como sua única opção de lazer e fonte de informação.

Em dezenbro de 2009, aconteceu a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (CONFECOM), uma das polêmicas principais dessa conferência foi a criação de um marco regulatório para a setor, o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, preparou um documento com 20 pontos do que deve ser esse marco regulatório.

Precisamos lutar por um marco regulatório que comtemple as diferenças de gênero, etnia, classe e orientação sexual, que saia de padrões inatingiveis que muitas vezes ataca a saúde física e mental das mulheres, devemos fazer com que a imagem da mulher propagada, combata os estereótipos e não tenha prioridade na sociedade de consumo, mas sim combata os preconceitos e desigualdades de gênero tão presentes na nossa sociedade.

Ponto que deve ser reivindicado é o fortalecimento de sistemas públicos e comunitários, também o estímulo a produção regional, valorizando as diferenças e combatendo o estereótipo eurocêntrico que é tão cultivado. O controle social da imagem da mulher propagada pela mídia e controle do estado nas cocessões públicas de rádio e TV, a criação de mecanismos de responsabilização e punição aos meios de comunicação que infrigirem os direitos humanos e que o tratamento da imagem da mulher seja critério para concessões, também esses pontos facilitaram o exercício de liberdade de expressão do conjunto da população.

Ana Gabriela é membro da Coordenação Nacional da UJR

Contra o racismo e o machismo nos trotes das universidades!

Dois lamentáveis eventos, ocorridos em renomadastrote_ufmg universidades brasileiras, chamaram a atenção da opinião pública na realização de trotes no início das aulas do ano letivo de 2013.

No início do mês, na cidade de São Carlos, os calouros da USP ficaram nus numa tentativa de hostilizar estudantes que questionavam a realização do chamado “miss bixete”, espécie de concurso em que as calouras eram obrigadas a mostrar o corpo para os veteranos. Além de simulação de sexo com boneca inflável, concurso simulando sexo oral e vários xingamentos,  hostilizando todos os presentes.

Nessa semana, na renomada Faculdade de Direito da UFMG, foi com uma inaceitável prática de racismo e apologia ao nazismo que os calouros receberam as boas-vindas. Uma estudante estampava a placa de “Caloura Chica da Silva” sendo arrastada pela faculdade por uma corrente, e um grupo de veteranos, após amarrar um estudante com fita numa pilastra da faculdade, fazia a saudação nazista, entre eles um com um bigode imitando Hitler.

Os trotes são uma prática relativamente comum no Jovens simularam sexo com boneca inflávelBrasil. Em várias universidades, e mesmo em equipes esportivas, nas forças armadas, é comum notícias de atividades que separam calouros e veteranos e da aplicação de tarefas que marquem o rito de passagem. No entanto, em vários casos esses trotes são marcados por agressões, humilhações, preconceito e até mesmo morte. Sendo assim, não contribuem em nada com a integração, pelo contrário, reproduzem rituais autoritários e antiquados.

Caracterizar os episódios ocorridos na USP em São Carlos, e na UFMG de trotes só serve para amenizar os crimes cometidos nessas recepções aos calouros. Se trata de crimes, previstos em Lei, tanto de racismo como de discriminação. Os muros da universidade não podem servir para esconder a realidade, e não há nada que justifique esses comportamentos.

Um dos organizadores do “trote” em Belo Horizonte chegou a afirmar, num canal de televisão, que não é uma questão de racismo, pois “temos amigos negros e o mascote da atlética é uma macacão(?)”.

A União da Juventude Rebelião repudia esses atos e convoca a juventude à combater o machismo e o racismo, seja nas universidades, seja em toda a sociedade. Precisamos de atividades que integrem os estudantes e unam a comunidade universitária na luta por uma universidade pública, democrática, gratuita e de qualidade!

Abaixo os trotes machistas e racistas!

Pela união da juventude na construção de um Brasil livre da opressão e do capitalismo!

Estudantes se revoltam contra suicídio de colega.

A jovem Kristel Tejada, 16 anos, se suicidou após ter a matricula cancelada por atraso nas mensalidades na Universidade de Manila, nas Filipinas. O suicídio gerou revolta nos estudantes que realizaram um grande protesto, chegando as suspender a aulas de hoje (18 de março).

Filipinas ocupa a 112ª posição no ranking de desenvolvimento humano da ONU, ou seja, é um dos países com uma das piores distribuições de renda do mundo. O Brasil por exemplo ocupa a 84ª desse mesmo ranking.

Esses dados provam que não foi culpa da jovem Kristel e afirmam a justeza da revolta dos seus colegas estudantes ao se indignarem contra a universidade e contra esse injusto sistema capitalista.

Quantos jovens mais precisaram perder a vida por conta da violência, da tristeza, de fome, por falta de condições dignas de vida, enfim, por culpa de um sistema que coloca acima de tudo, o capital. É hora da juventude e os trabalhadores se organizarem e lutarem por um sistema mais justo, por uma nova sociedade, a sociedade socialista.

Não à violência contra as mulheres!

Jovem_india_protestosTodos os dias são noticiados nos meios de comunicação diversos casos de violência dos mais variados tipos, os jovens também são vítimas de todo esse caos.  Somente no Brasil são 44,2 homicídios a cada grupo de 100 mil jovens entre 15 e 19 anos (dados do estudo Mapa da Violência). No caso de jovens mulheres a situação se agrava, milhares são agredidas e assassinadas.

Recentemente um caso chocou o mundo.  Uma jovem indiana morreu em decorrência de violência sofrida dentro de um ônibus no dia 16 de dezembro. A universitária foi estuprada por seis homens quando voltava de uma cessão de cinema. Ela foi espancada com uma barra de ferro e sofreu violência sexual durante uma hora.  Jyoti Singh Pandey ficou internada no hospital Mount Elizabeth em Nova Deli, chegou a passar por três cirurgias, mas não resistiu e faleceu dia 29.

Apesar de toda a luta travada ao longo dos últimos anos pelo respeito e igualdade das mulheres, as políticas públicas ainda são insuficientes para coibir esse tipo de agressão. As leis não são aplicadas com eficácia onde elas existem e em muitos outros países não existe nenhum tipo de legislação em proteção da mulher, como é o caso de diversos países do oriente médio.

Devemos intensificar a luta pela proteção das mulheres, apenas na América Latina uma em cada três sofreu violência física. 25 de novembro é o dia internacional de combate à violência contra as mulheres. Para propagandear essa data tão importante a UJR e o Movimento de Mulheres Olga Benário fizeram cartazes, debates, panfletagens em todo nosso país.

» Posts mais novos