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A violência contra a mulher, NÃO É O MUNDO QUE A GENTE QUER!

Entre os dias 25 a 27 de março se reuniram na UFF em Niterói – RJ, mais de 2 mil mulheres para o 7º Encontro de Mulheres Estudantes – EME da União Nacional dos Estudantes – UNE. Com o tema “A cultura feminista transformando o Brasil” mulheres de coletivos, opiniões e organizações diversas discutiram a conjuntura política do país, a violência, educação sexista, cultura, cyberfeminismo, aborto, políticas públicas para as mulheres, direito a cidade, feminismo antirracista, assistência estudantil, saúde, protagonismo feminino no movimento estudantil, LBT`s, entre outros…

O principal debate que permeou todos os outros foi a conjuntura política, na qual se tem observado muitos ataques aos direitos das mulheres e atrasado o avanço de suas bandeiras. A denúncia do golpe e a luta contra o retrocesso deram o tom do evento, considerando que esta é também uma luta das mulheres.

Exemplos como a aprovação do estatuto da família, do estatuto do nascituro, o PL5069 e a aprovação da reforma da previdência, provam o quanto as mulheres devem estar inseridas nos debates políticos do país. No geral, a avaliação da conjuntura foi que não se pode permitir o golpe da direita e do fascismo, bem como não se pode aceitar o corte de direitos e a diminuição dos investimentos nas áreas sociais como saúde, educação, moradia, etc. A saída deve ser pela esquerda!

A mesa sobre a violência contra as mulheres foi um espaço de intensa luta política contra o machismo, assédio e violência física e sexual dentro das universidades e dos movimentos sociais. Como a violência é uma das principais agressões sofridas pelas mulheres nesse sistema, tanto que cerca de 67% das universitárias reconhecem já terem sofrido algum tipo de violência dentro das universidades segundo a pesquisa do Instituto Avon 2015, esse foi um debate bastante procurado. Deste debate saiu uma moção de repúdio a violência nos espaços do movimento estudantil.

As estudantes e mulheres presentes no evento participaram ativamente dos debates, dos espaços culturais com conteúdos também feministas e com muita agitação puxaram palavras de ordem com as baterias de mulheres pelo fora Cunha, contra a violência e por mais direitos.

À convite da União da Juventude Rebelião- UJR/ Rebele-se e do Movimento de Mulheres Olga Benário mais de 120 meninas de coletivos e movimentos de várias universidades marcaram presença com a participação nas mesas, nos grupos de debates, nas intervenções, panfletagens, palavras de ordem e exemplos de que o feminismo deve ser prático e com caráter de classe.

Ao final do evento foi lida a “Carta de Niterói” que resume o que foi evento e suas decisões e foram lidos os documentos consensuados pelas estudantes. Entre as moções foram aprovadas uma em memória a estudante de biologia da UnB, Loise Ribeiro, de 20 anos, assassinada na semana do 8 de março; moção contra lei antiterrorismo; Carta a presidenta Dilma pela legalização do aborto, pela garantia dos nossos direitos sexuais e reprodutivos; Moção de apoio pela educação pública nas escolas; em memória a um ano do massacre dos professores no Paraná; Moção pelo Fora Cunha e Moção contra a violência das mulheres.

12891014_1032776966789899_3433240703684975460_oApós a plenária final as estudantes saíram em manifestação pelas ruas de São Domingos, bairro onde fica localizada a UFF, fazendo intervenções pela vida das mulheres, contra a violência, contra o golpe e contra a ditadura militar e qualquer retrocesso da democracia. Nesse momento foi realizado um importante ato em memória de Telma Regina, estudante de Geografia da UFF assassinada pela ditadura.

O encontro se caracteriza por um espaço de grande discussão feminista sobre vários aspectos, que abrange uma diversidade de defesas do feminismo e um espírito de solidariedade entre as mulheres. É também um espaço de formação e construção política das mulheres e de disputa de consciência. Várias estudantes demonstraram uma grande vontade de se aprofundar nesse debate e se engajar nos movimentos e nas organizações feministas. É um lugar de protagonismo das mulheres que mostra o quanto elas podem e devem ocupar os espaços públicos e de liderança e romper com a lógica patriarcal e machista da sociedade.

A revolução será feminista ou não será!

É pela vida das mulheres!!

Samara Martins – Militante da UJR e Diretora de Mulheres da UNE

Preparar Rebelião contra o aumento das tarifas

Ainda estamos nos primeiros dias de 2016 e os gananciosos empresários do transporte já anunciam absurdos aumentos no valor das passagens de ônibus. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 65% da população das capitais brasileiras usa o transporte público para se deslocar. Estima-se que apenas em São Paulo mais de 17 milhões de pessoas utilizam os ônibus diariamente, e as viagens duram, em média, 67 minutos. Até agora já foi anunciado o aumento no valor da tarifa em pelo menos 21 cidades no Brasil. Os valores do reajuste são listados a seguir:

Rio de Janeiro: de R$ 3,40 para R$ 3,80.

São Paulo: de R$3,50 para R$ 3,80.

Campinas (SP): de R$3,50 para R$ 3,80.

Aracaju (SE): de R$ 2,70 para R$ 3,10.

Joinville (SC): R$3,70 para R$ 4,50.

Salvador (BA) R$ 3,00 para R$ 3,30.

Cuiabá (MT): de R$ 3,10 para R$ 3,60.

Teresina (PI): de R$2,50 para R$ 2,83, sendo este o segundo aumento em menos de 1 ano.

Belo Horizonte (MG): A principal tarifa passou de R$ 3,40 para R$ 3,70, sendo este o segundo reajuste de preços em menos de seis meses.

A pesquisa do Ipea mostrou que desde 2010 a população brasileira gasta, em média, valores equivalentes com transporte e alimentação: o transporte é responsável por consumir 20,1% do orçamento dos trabalhadores brasileiros, enquanto a alimentação é responsável por 20,2%.

A crise atinge os pobres, mas não chega nos patrões

Os empresários terminaram o ano de 2015 mais que felizes já que seus lucros milionários foram garantidos. De acordo com a pesquisa de mobilidade urbana da Rede Nossa São Paulo (SP) e da Fecomércio (SP), os reajustes de preços de ônibus, metrô, trem e outros meios de transporte fizeram com que os gastos dos brasileiros com transporte crescesse 20% só em agosto de 2015.

Agora, com esses aumentos, querem novamente atacar o bolso dos usuários e garantir lucros ainda maiores em 2016. Sendo esse um ano eleitoral, quando esses empresários financiam caríssimas campanhas, o aumento das tarifas por todo o país se faz necessário. É obvio que a melhor forma de pagar a conta dessas campanhas é com o aumento das tarifas do transporte, prejudicando assim ainda mais a já difícil vida do povo brasileiro, que sofre com a carestia do preço dos alimentos, o aumento do desemprego e a falta de serviços públicos básicos, como educação e saúde.

Quando o assunto é aumentar o preço das passagens até mesmo o prefeito Haddad (PT-SP) e o governador Geraldo Alckimin (PSDB), que vivem em pé de guerra, se unem para atacar os trabalhadores e a juventude pobre da maior cidade da América Latina. Durante suas ricas campanhas eleitorais todos os candidatos dizem que o transporte vai ser prioridade em suas gestões caso sejam eleitos, mas o serviço continua de péssima qualidade e em alguns casos entrar em um ônibus é uma tarefa quase impossível.

A organização do povo pode barrar o aumento das passagens

Centenas de estudantes tem se organizado em comitês e frentes de luta contra o aumento da tarifa por todo o Brasil. É preciso aumentar a nossa articulação, convocar os usuários do sistema de transporte, os trabalhadores dessas empresas que protagonizaram combativas e importantes greves no último período, os metroviários e a sociedade civil e com a nossa luta impedir mais esse aumento.

É possível e preciso repetir o que aconteceu em junho de 2013, quando milhões de pessoas foram as ruas e conquistamos a revogação do aumento das passagens em mais de 100 cidades.

Chega de enricar os donos das empresas! Queremos um transporte que funcione, que nos leve com segurança onde precisamos ir e não de um transporte que mata, como a jovem estudante Camila Mirele, que teve sua vida tragicamente interrompida após subir em um ônibus lotado na cidade do Recife.

É hora de organizarmos uma verdadeira REBELIÃO contra os tubarões do transporte público, ocupar as ruas e organizar a nossa indignação e rebeldia para frear esses aumentos absurdos. Vamos à luta!

Essa matéria é dedicada à memória de Camila Mirele, que em maio de 2015 caiu de um ônibus em movimento chegando a óbito. O ônibus da linha Barro/Macaxeira passava pela BR-101, em frente à Casa do Estudante, perto do campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A linha é operada pela empresa Metropolitana. Aluna do segundo ano do curso de biomedicina na UFPE, Camila estava voltando para casa, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana, e o ônibus estava superlotado. O veículo estava em movimento quando a porta se abriu e a jovem caiu.

Jessé Samá, militante da UJR e diretor da UNE

Shara Narde, militante da UJR

Se terceirizar, nós vamos ocupar!

Desde o dia 09 de dezembro, o Governo de Goiás experimenta as consequências de um movimento pela educação que visa a barrar a terceirização da gestão escolar via Organizações Sociais (OSs) e a militarização.

Os estudantes secundaristas começaram ocupando o Colégio José Carlos de Almeida (JCA), desativado pelo Governo em ato golpista, alegando que não havia alunos suficientes para abertura de período letivo. Logo no dia 10, os estudantes ocuparam também o Colégio Robinho, em seguida, o Lyceu, e depois o IEG. No dia 14, o Governo foi surpreendido com a ocupação de mais quatro colégios, incluindo um de Anápolis e um de Aparecida de Goiânia. Hoje, dia 15, ocorreu mais uma ocupação em Goiânia, no Colégio Estadual Murilo Braga. Essas ocupações refletem o descontentamento dos estudantes perante às medidas que o Governo quer implantar na escola pública.

O projeto das OSs apresenta muitas irregularidades. Temos como péssimo exemplo a saúde de Goiás, que já passou por este processo e hoje vem sofrendo as consequências com o agravamento da corrupção, desvio de verbas, etc.

As OSs são a principal causa das ocupações, porém, soma-se que os estudantes querem a volta do Colégio José Carlos de Almeida e o fim da militarização e privatização de cerca de 25 escolas, que passaram a um regime autoritário, em que cantam hino, marcham e batem continência para superiores, pagam por fardas, livros, matrícula e mensalidades, além do assédio moral e sexual por parte dos militares. A repressão da PM se posiciona mais fortemente em alguns colégios específicos, usando táticas para que o processo das ocupações seja intimidado.

Além das ameaças, o governo entrou com um pedido de reintegração de posse, porém foi negado hoje pelo juiz Eduardo Tavares dos Reis, que considera que a natureza jurídica da ocupação não caracteriza usurpação de posse, e entende que o objetivo dos alunos e docentes é “trazer à tona essa discussão”, acerca da terceirização. E ainda afirmou que “transformar o movimento de ocupação das escolas em questão jurídica é, com absoluto respeito, uma forma incorreta de compreender a dimensão do problema”, uma vez que o manifesto não se caracteriza por privação do Estado na posse de seus imóveis. E ainda considerou que  “as manifestações de 2013 que se prolongaram até os dias atuais obrigam o poder público (inclusive o Judiciário) ao reconhecimento da legitimidade dos movimentos sociais e de protesto, com sua pauta e voz”.

Diante de mais essa vitória, o movimento se fortalece e os estudantes não se intimidam diante dessas ameças e reafirmam sua decisão de continuar ocupando enquanto o governador Marconi Perillo (PSDB) não cancelar essas medidas e, ao mesmo tempo, reafirmam que, neste momento, é importantíssima a união de todos na defesa do ensino público, gratuito e de qualidade.

Andressa Palhares, militante da UJR/Goiás

Estudantes mineiros realizam ocupação no IEMG

Os estudantes do Instituto de Educação de Minas Gerais (IEMG) maior escola do Estado, cansados de promessas de reformas, indignados com a situação da escolas e em solidariedade aos estudantes de São Paulo, organizaram, com o seu grêmio estudantil e a Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas da Grande Belo Horizonte (AMES-BH) uma ocupação na escola.

A Ocupação teve seu estopim quando uma chuva forte alagou salas, gerando o cancelamento das aulas e revoltando os estudantes, que organizaram um ato e convocaram assembleias, em que deliberam pela ocupação da escola. Atualmente, os alunos convivem com salas sem porta, janelas, ventiladores e banheiros sucateados. Há muito tempo, os estudantes do IEMG reivindicam melhorias na estrutura precária da escola, sem obter resposta do ex-governador Antonio Anasta​sia​ (PSDB) e do atual governador Fernando Pimentel (PT). O fato de ser um prédio antigo e tombado serve, muitas vezes, como desculpa do governo para nunca realizar as necessárias reformas. Continuamos a conviver com quadros antigos de giz, quadras quebradas, etc. É habitual pedaços do teto caírem, colocando em risco a vida dos estudantes.

Nossa ocupação é resultado das demandas e das lutas ocorridas na escola. É também em solidariedade aos estudantes paulistas. O IEMG é a primeira escola fora do Estado de São Paulo a ser ocupada. Entendemos que é de extrema importância que os estudantes de todo país ocupem as suas escolas reivindicando seus direitos e se somando à luta dos estudantes paulistas. Fechar escolas significa acabar com sonhos e futuros de nossos jovens. Por isso, defendemos: Nenhuma escola a menos! Por mais investimento na educação pública!

Mariana Ferreira, presidenta da AMES-BH

“A juventude de BH quer ser ouvida, e a escola não é um espaço para isso”

No último sábado a Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas de Belo Horizonte, a AMES-BH, realizou seu 6° Congresso, reunindo mais de 100 lideranças estudantis para debater os rumos do movimento estudantil na capital mineira, e eleger a nova diretoria da entidade. A estudante Mariana Ferreira, militante da UJR, foi eleita presidente da AMES-BH, e fala um pouco dessa experiência e dos desafios à frente da principal entidade secundarista dos estudantes mineiros.

 

Rebelião – Qual a sensação de ser eleita presidente da AMES? Qual a responsabilidade que essa indicação representa?

6CONAMES07-PLENARIOMariana – Eu comecei a participar da AMES no início de 2012 e sempre tive muita admiração pela história de luta da entidade, que tem um peso político em Belo Horizonte e vem expandindo isso pra Região Metropolitana. Acho que todo mundo que assume algum cargo na AMES, está se propondo a construir a luta da juventude e ser indicada enquanto presidente da entidade me faz sentir o quanto eu cresci nesse tempo. Me sinto na responsabilidade de fazer com que a entidade seja construída de forma mais coletiva do que tem sido desde então. É importante que saibam que, independente do tempo de movimento estudantil, todas as ideias acrescentam no debate.

Rebelião – No processo de eleição dos delegados e visita as escolas, como você enxerga os principais problemas que a juventude enfrenta hoje em Belo Horizonte? A crise econômica tem gerado quais problemas para a juventude?

Mariana – Pelas passagens em salas de aula, eu senti que a juventude de Belo Horizonte sente muito a necessidade de construir as coisas, e isso não acontece na maioria das escolas. A opinião de todos é considerada descartável pelas direções e até pelos professores. Hoje em BH a passagem custa R$3,40, muita gente tem que dar conta de trabalhar e estudar, quase não existe assistência estudantil na rede estadual, a merenda não dá pra todo mundo, as aulas são entediantes, enfim… a escola é uma estrutura arcaica, que não tem conseguido dar resposta à nova forma de vida que a maioria dos jovens tem adotado nesse momento de crise. A juventude de BH quer ser ouvida e a escola não é um espaço pra isso.

Rebelião – Como anda a luta pelo meio-passe em Belo Horizonte? Essa será a principal bandeira da próxima gestão da AMES-BH?

Mariana – O meio-passe foi conquistado em 2010 pela AMES e é um benefício extremamente burocratizado e que não atende à demanda dos estudantes. Depois de Junho de 2013, a galera das escolas vem pautando também a questão do Passe Livre. Nessa próxima gestão teremos o desafio de unir essas pautas para avançar nos direitos dos estudantes frente o transporte aqui na cidade.

Rebelião – Quais as maiores dificuldades de participar e atuar no movimento estudantil? Para as mulheres, o quanto torna-se mais difícil assumir a militância e a ocupação de espaços de direção como a presidência de um grêmio ou mesmo da AMES-BH?

Mariana – Em seis congressos, eu sou a segunda mulher a ser eleita presidente da entidade. Acho que isso mostra como nós mulheres temos mais dificuldades em se colocar nos espaços públicos: é sempre mais difícil fazer uma fala na sala de aula, dirigir uma manifestação ou conversar com dirigentes de sindicatos. Fomos ensinadas a ser comportadas e não dar a nossa opinião. Lembro que quando era presidente do grêmio do CEFET, era terrível pensar em passar numa turma de mecânica ou mecatrônica (formadas majoritariamente por homens). É muito maior o medo de ser julgada. Apesar disso, tenho visto cada vez mais meninas se interessando pelo Movimento Estudantil e se dispondo a enfrentar e superar essas dificuldades (reflexo disso é o fato de sermos 7 mulheres e 2 homens na executiva da AMES).

Rebelião – Nessa conjuntura de crise e ataques aos direitos da juventude, qual o papel do movimento estudantil para mobilizar a juventude brasileira?

Mariana – O ME sempre cumpriu um papel importantíssimo nas lutas do povo brasileiro e da juventude (Fora Collor, O Petróleo é Nosso e a derrubada da ditadura militar são só alguns exemplos). Nesse momento de crise é essencial que a juventude ocupe as ruas pra exigir que os seus direitos não sejam retirados, e o ME tem a capacidade de mobilizar uma grande parcela da juventude pra essa luta. O ano de 2013 já mostrou pra nova geração de jovens do Brasil que o povo não é acomodado e que tem o poder de conquistar o que quiser se estiver organizado. É importante concentrar os estudantes nessas mobilizações.

Combater a cultura da violência dentro das universidades brasileiras

A reprodução da violência, do machismo e do conservadorismo nas universidades ocorre cotidianamente, mas a luta e o processo de conscientização de estudantes e de toda a comunidade universitária vem crescendo de norte a sul do país. No mês de junho, estudantes de diversos coletivos do movimento estudantil e centros/diretórios acadêmicos da Universidade Federal de Viçosa se uniram no combate a essa pauta dentro do campus.

O estopim da indignação ocorreu quando o professor Joaquim Lannes, do departamento de comunicação da UFV, publicou em seu perfil do facebook, na segunda feira do dia 15 de junho, uma noticia falsa do titulo: “Juiz solta ladrão e é assaltado por ele na saída do Fórum.”, seguido do seguinte comentário: “Bem feito. Tomara que futuramente este marginal entre na casa do juiz estupre a mulher dele, a filha e outras mulheres da família dele. Aí quem sabe ele possa ver quem merece ficar solto e quem merece ficar preso. Bem feito.”.

11657316_10204431107839099_1636595386_n(1)Mesmo diante de um apertado calendário acadêmico, o ato realizado no dia 19 de junho reuniu cerca de 70 estudantes dos diversos cursos da UFV que mostraram sua indignação com a omissão da universidade diante das denuncias de estupro, abuso, assédio e discriminação, que são frequentes no dia a dia da instituição.

Infelizmente casos como esse não são isolados. A naturalização da violência contra a mulher é cada dia mais presente na nossa sociedade. Mais de cinquenta mil mulheres são estupradas por ano e a cada cinco minutos, uma mulher é agredida.

As violências psicológicas, físicas e sexuais que ocorrem todos os dias estão diretamente ligadas a forma como a nossa sociedade se organiza e como entende as relações de poder. Vivemos em uma sociedade machista e patriarcal onde a mulher ocupa um lugar secundário e submisso ao homem.

As mulheres são retratadas diariamente como objetos sexuais e de domínio masculino. As mulheres são culpabilizadas por toda a violência que sofrem e em sua grande maioria não recebem qualquer tipo de amparo.

Posicionamentos como esse do professor reforçam a naturalização dessas ações. Ele, enquanto professor de uma universidade federal e chefe do Departamento de Comunicação da mesma influencia diretamente diversas pessoas dentro do ambiente universitário, e ao colocar o estupro como uma medida punitiva, legitimar a posse do homem sobre a mulher e todas as violências que a mesma sofre, naturaliza todas essas agressões reforçando esse entendimento entre as pessoas que o cercam.

 A universidade que queremos não pode servir como um mecanismo de reforço às violências, opressões e discriminações da nossa sociedade. Ela deve servir como um espaço de desconstrução de toda essa lógica.Quando a universidade e a comunidade acadêmica omitem de se posicionar diante desses casos elas consentem e compactuam como toda a violência existente no ambiente universitário.

 É preciso por fim a cultura da violência e do estupro dentro e fora das universidades brasileiras, que hoje são compostas em sua maioria por mulheres. É preciso manter a articulação e a unidade do movimento estudantil e de toda a comunidade acadêmica para que as mulheres vítimas de casos de violência sintam-se seguras para denunciar. É necessário que tenhamos mecanismos de denuncia que realmente funcionem e que tomem as medidas cabíveis e necessárias a esses casos.

Chega de impunidade nos casos de opressão e violência no campus universitário!

Machistas não passarão!

Shara Narde – Integrante do Movimento Rebele-se UFV e militante da UJR

Todos às ruas para defender a educação

Dia 26 de março, nas universidades de todo o país, o movimento estudantil brasileiro convoca uma jornada nacional de lutas contra o corte de verbas na educação. Com o pacote de ajuste fiscal adotado pelo governo, nada mais que R$ 7 bilhões estão sendo cortados do orçamento da educação, o que começa a impactar nas universidades com a suspensão do pagamento de bolsas, terceirizados, atraso na volta às aulas e mesmo atraso no pagamento de contras de luz das universidades.

É hora de mobilizar a juventude para dizer não a esses cortes. No último dia 12, os estudantes de institutos federais e CEFET´s, mobilizados pela FENET com atos em todas as regiões do país, realizaram atos em 16 reitorias denunciando o corte de verbas. Agora é a vez dos universitários exigindo mais verbas para a educação!

A pátria educadora não pode cortar verbas da educação!

Confira o manifesto na íntegra:

 

26-M: Dia Nacional em Defesa da Educação

O ano de 2015 começou com um corte nas áreas sociais, a mais atingida foi a Educação, foram mais de 7 bilhões de reais. O impacto disso na realidade de cada universidade, seja privada ou pública, já é sentido pelos estudantes, professores, técnico-administrativos e terceirizados, inclusive várias universidades do país estão com atrasos no pagamento dos salários dos funcionários terceirizados, impedindo o inicio das aulas, como na UFRJ e UERJ. Bolsas de pesquisa e assistência estudantil também sofreram corte e/ou estão atrasadas. Na UnB, por exemplo, dos 11 milhões que deveria receber esse ano, foram transferidos cerca de 30% a menos. Os jornais anunciam que a UFMG está há 3 meses sem pagar a conta de água e energia. Na UFRGS as aulas começaram com os Restaurantes Universitários fechados.

10711117_10206180640099805_6174560567862101429_nNas universidades privadas o caso mais emblemático é o corte no repasse do FIES. Nesse programa o governo banca a mensalidade dos estudantes e depois da formatura cobra com juros. São inúmeros estudantes que tem se endividado ainda mais para ter acesso à educação. E agora com as mudanças, vários estudantes que estão no meio do curso podem ter que largar por não conseguir pagar e ainda vão sair como inadimplentes. Esse é um problema do governo que apresentou o FIES como a saída para a falta de universalização do ensino público ao mesmo tempo em que servia aos empresários do mercado educacional com repasse indireto de recursos públicos. Diante da crise o governo escolheu recuar e fazer cortes, colocando a conta nas costas dos estudantes. Sem falar nas demissões de professores, como na PUC SP onde foram mais de 50 demitidos.

Nas universidades estaduais os cortes também são gigantescos. A situação das universidades estaduais do Paraná são uma expressão do impacto do plano de ajuste na educação, lá todas as estaduais correm o risco de não abrir o semestre letivo porque o governo não repassou a verba. Em São Paulo as estaduais começam o ano com 203 milhões a menos e na USP vários trabalhadores estão na berlinda da demissão. Esse quadro também atinge as estaduais do Rio de Janeiro.

A realidade é a mesma de norte a sul do país, diante da crise que vivemos, os governos federal e estaduais querem que os trabalhadores e a juventude paguem a conta, com demissões, cortes de direitos, aumentos de impostos e tarifas públicas, como a gasolina, a energia e a tarifa do transporte público. Enquanto isso, o governo Dilma continua destinando quase metade do orçamento para os banqueiros através do pagamento das dívidas interna e externa; parlamentares aumentam seus próprios salários; e a Petrobrás segue sendo privatizada e desfavorecida em leilões que entregam nosso petróleo e gás para empresas estrangeiras e agora com, saqueada por partidos e políticos do PT ao PSDB e sofrendo pela recém anunciada política de desenvestimento. Por isso, a verdadeira alternativa já tem sido construída nas ruas, greves e ocupações dos trabalhadores, como nos casos da greve operária da Volkswagen de São Bernardo e da GM de São José dos Campos e a luta dos operários do COMPERJ no Rio de Janeiro. Mas também em várias universidades através das assembleias e lutas que vem ganhando força, em mobilizações que contra as políticas neoliberais do governo federal na educação e as medidas políticas e econômicas conservadoras.

Os professores do Paraná devem nos servir de exemplo. Numa luta em conjunto com os estudantes eles pararam as ruas de Curitiba contra o pacote de ajustes do governador do PSDB. E agora para fortalecer a luta de cada universidade, devemos nos unir e parar as universidades e as ruas no Brasil para lutar contra o pacote de ajustes de Dilma e Levy. Unificando a luta estudantil à luta dos trabalhadores, vamos construir um grande dia nacional de luta contra os cortes na educação.

Dia 26 de março faremos um dia nacional de lutas pela educação nas universidades e escolas, resgatando a memória do secundarista Edson Luis, mártir do movimento estudantil brasileiro na luta contra a ditadura, para derrotar o ajuste e os cortes do governo Dilma.

Iara Cassano – Secretaria Geral da UNE
Katerine Oliveira – 1ª vice presidente da UNE
Janaína Oliveira – Comissão Executiva Nacional da ANEL
Camila Souza Menezes – Diretora Executiva de Direitos Humanos UNE
Deborah Cavalcante – Diretora de Movimentos Sociais da UNE e DCE UFPI
Kauê Scarim – Diretoria de Políticas Educacionais da UNE
Mariana Nolte – Juventude Vamos à Luta/RJ
Felipe Alencar – Diretor do CA de Pedagogia da Unifesp
Diana Nascimento – Ciências Sociais Unicamp e Diretora da UEE-SP
Tatiane Lopes – Coordenadora do Centro Acadêmico de Ciências Humanas da Unicamp
Adriana Souza – DCE – UEM
Aline Vieira – Diretora LGBT da UPE e DCE UTFPR
Anderson Castro – Diretor da UNE
Anderson Morais – Diretoria Executiva da União Catarinense dos Estudantes (UCE)
Arielli Tavares – DCE – USP
Breno Mariz – Presidente do DA de Direito da UFRN
Camila Falcão – Coordenadora Geral do DCE UFRPE
Carlos Edísio – 1˙ Diretor de universidades públicas da UNE
Cecília Rodrigues – Pedagogia Unicamp
Célio Peliciari – Ciências Sociais Unesp Araraquara
Claudiane Araújo – DCE – UNIFAP
Deodoro Ribas – Presidente do DCE UFABC
Diego Aguirre – CA de Ciências Sociais UFU
Edemiler Api – CA de Ciências Sociais da UFSC
Eduardo Ferreira – Administração Unicamp
Eduardo Rodrigues – Coordenador Geral do DCE-UNAMA
Erick Denil – presidente da UMESPA
Fábio Moroni – Centro Acadêmico de Geografia da UFPA
Fernanda Souto – Medicina UFTM
Flavia Calado – CA de Direito e DCE UNIFAP
Francisco Marques – Coordenador do Centro Acadêmico de Filosofia da UFMG
Gabriel Alves – DA de Geografia UFF
Gabriel Henrique Nagoaka – DCE Unioeste Foz do Iguaçu
Gladson Reis – Diretor de universidades particulares da UNE
Glauco Plens – Medicina USP
Guilherme Bianco – vice presidente da UEE-SP
Mariana Moura – Presidente da APG-USP Capital
Guilherme Kranz – Estudantes da USP e militante da Juventude às Ruas
Heitor Glass – DCE UNIFAP
Hugo Dantas – DCE UFC
Jean Ilg – Estudantes da UFRJ e militante da Juventude às Ruas
Jean Marcelo – Geografia UFSCAR Sorocaba e Diretor da UEE-SP
João Berkson – DCE UeVA
Jonatan da Silva – Coordenador Geral do DCE-UNIRIO
Juliana Rocha – Fórum em Defesa da Saúde e da Educação – UFMG
Juliano Marchant – DCE UFRGS
Julio Anselmo – DCE – UFRJ
Katu Silva – 1º tesoureiro da UNE
Kézia Bastos – Diretora do CA de Psicologia da UFF-Rio das Ostras
Lara Pinheiro – Diretora do CA de História da UFF-Niterói
Letícia Moreira – presidente da UGES
Lício Jônatas – DCE UCB
Lívia Rodrigues – Medicina Santa Casa
Lu Araújo – DCE – UFAL
Luana Brito – Coordenadora Geral do DCE UEFS
Lucas Brito – Comissão Executiva Nacional da ANEL
Lucas Marcelino – 1˚ diretor de RI da UNE
Luiza Buzgaib – Diretora do DA de Serviço Social da UFF-Niterói
Luiza Foltran – DCE UFRJ
Marcos Kaue – presidente da UMES/SP
Marcus Moura – 1˙ Diretor de assistência estudantil da UNE
Mariana Trindade – Diretora da UBES
Mariara Cruz – diretora da UNE
Marie Castaneda – Coordenadora do Centro Acadêmico de Ciências Humanas da Unicamp
Matheus Costa – Engenharia Mecânica Unicamp
Matheus Gomes “Gordo” – DCE UFRGS
Matheus Moraes – Presidente do DCE UFCG
Fabiana Amorim – Diretora da UBES
Michelle Santos – Tecnologia em Controle Ambiental Unicamp
Natália Guimarães – DCE UFG
Natália Lucena – Juventude Vamos à Luta/Uberlândia
Nathalia Bittencurt – Diretora da UNE
Nunah Alle – DCE UFES
Odete Cristina – Estudantes da USP e militante da Juventude às Ruas
Pâmela Oliveira – DCE – UFC
Paula Alves – CST-PSOL/RS
Paulo Henrique Silva – Centro Acadêmico de Psicologia da UEL
Pedro Dal Agnoll – DCE UNICENTRO – PR
Pedro Serrano – Diretor da UNE
Pedro Victor Rebelo – CAHIS UERJ
Larissa Rahmeier – Diretora de Políticas Educacionais da UNE
Raissa Moraes – Diretora de Mulheres da AERJ
Rana Agarriberri – CST-PSOL/MG
Raphael Pena – Diretor do DCE UFRJ
Raquel Polydoro – Coordenadora Geral do DCE-UNIRIO
Renata Silva – DCE UNESPAR Paranaguá
Robson De Araújo Júnior – Diretor do DCE UFRJ
Rodrigo Lucas – secretário geral da UBES
Rômulo Abreu Lourenço – Diretor do DA de Sociologia da UFF-Niterói
Samara Monteiro – presidente da UNEFORT
Satiko Konishi – Diretora do CA de Serviço Social da Unifesp
Silvia Guerreiro Giese – DCE UFPA
Tadeu Lemos – Diretor de Assistência Estudantil da UNE
Tatiane Lima – Coordenadora do Centro Acadêmico de Ciências Humanas da Unicamp
Tauany Barbosa – Estudante da Universidade Fama ABC
Thiago Brito – DCE UNIMEP
Valmir Teotônio – diretor da UNE
Vanessa Couto – DCE USP
Vinicius Eckert – Coordenador do DCE-UFRGS
Virginia Guitzel – Movimento LGBT
Vynicius Campus – Estudantes expulso da UNESP e militante da Juventude às Ruas
Winnie Freitas – Diretora do CA de Serviço Social da UFF-Rio das Ostras

 

Estudantes na luta por democracia na PUCR$

No dia 11/03/15 estudantes de direito da PUCR$, coletivos e apoiadores do movimento, ocuparam o prédio do direito em meio a palavras de ordem: “vem, vem pra luta, centro acadêmico não é só pra sinuca” “chega de hipocrisia, os estudantes só querem democracia” “ah, que bom seria, se aqui no CAMC tivesse democracia” e “veem, veem, veem pra luta vem é contra a MÁFIA”.

DSC01234Foram anos de gestão do CAMC, dominada pela MÁFIA da PUCR$, setor reacionário que se utiliza das entidades estudantis para benefício próprio, usando do dinheiro das carteirinhas escolares para financiar campanhas eleitorais, lucrando as custas dos estudantes, pactuando com os interesses da reitoria e até agredindo mulheres militantes. Quando enfim em 13/11/14 ocorre um processo eleitoral democrático e uma nova chapa é eleita com mais de 660 votos, a reitoria não legitima a eleição não podendo a chapa assumir a gestão, assim demonstra que a política da reitoria da PUCR$ é de condescendência com a falta de democracia.

Enquanto isso a máfia permanece com a chave do CAMC, utilizando o Centro Acadêmico para beneficiar seu grupo de amigos em contraposição a decisão da maioria, dos vitoriosos 660 votos que dizem não a esses tipo de política! Passam o dia jogando sinuca, cobrando R$10,00 para realização do cartão do estudante, realizando atividades fechadas e ocupando o espaço que deveria ser de todos(as) os(as) estudantes. Diante disso (a)os estudantes de direito da PUCR$ exigem que seja legitimada a gestão já eleita democraticamente e no mínimo que seja garantido um novo processo eleitoral.

O Coletivo Voz Ativa e a UJR apoiam está ocupação legítima e estamos em unidade construindo essa luta contra as práticas golpistas e fascistas dentro da PUCR$, na garantia de maior democracia dentro e fora da Universidade, pela combatividade e luta das entidades estudantis que devem defender o interesse dos estudantes! Toda solidariedade e apoio aos que ousam LUTAR!!

UJR PUCSR e Coletivo Voz Ativa PUCRS

Cresce a luta contra o corte de verbas na educação!

Os estudantes, professores e servidores receberam com indignação o anúncio do corte de R$ 7 bilhões do orçamento da educação, semanas após o governo autodenominar-se “Pátria Educadora”. Mas, não basta declarar-se assim para que a educação passe, de fato, a ser prioridade, é preciso avaliarmos as ações tomadas nesse sentido.

Nada mais sintomático do que o corte no orçamento da educação. Mesmo tendo vencido as eleições criticando as chamadas medidas de “ataque aos trabalhadores” e ao povo, afirmando que o PSDB seria promotor de um pacote de arrochos, o governo federal escolheu seguir um caminho de ainda mais favorecimento dos ricos e das elites.

Como sabemos, o orçamento do governo federal possui um alto grau de comprometimento com o pagamento da dívida pública, destinando mais de 40% de tudo que arrecada com os juros e amortizações de uma dívida que não para de crescer. Para se ter uma ideia, com o dinheiro que é gasto em um único dia com o pagamento da dívida, seria possível arcar com o plano nacional de assistência estudantil das universidades federais, aproximadamente R$ 3 bilhões.

Diminuição dos direitos trabalhistas, anúncio de abertura do capital da CAIXA, e um corte no orçamento da ordem de 33% nos ministérios. Para os bancos, nenhuma medida foi anunciada, tudo para garantir seus lucros bilionários.

Luta começa a ganhar força em todo o país

fenet_cidLogo nas primeiras semanas, a rejeição a essas medidas ganhou força em todo o país, e vários já foram os atos contra o corte de verbas. Após a visita do novo ministro da educação na UFPE, IFPA e UFPA, o movimento estudantil pressionou e denunciou, com muita determinação, o famigerado corte de verbas e a necessidade dessas medidas serem revistas, para que a educação passe, verdadeiramente, a ser prioridade.

Os servidores também começam a mobilizar-se e na Universidade Federal de Alagoas o sindicato promoveu uma primeira paralisação com o trancamento do campus, e no Instituto Federal do Mato Grosso está anunciada greve das atividades para garantir o cumprimento de 30 horas de serviço. Em seu congresso, realizado no final de fevereiro em Brasília, o ANDES-SN (sindicato nacional dos professores) debateu as ações a serem promovidas e mobilizações estão sendo organizadas para o próximo período.

A Federação Nacional dos Estudantes no Ensino Técnico aprovou em uma plenária nacional de grêmios a convocação de atos exigindo a devida destinação de recursos para a educação técnica e profissional. De acordo com nota da FENET, “os estudantes de todo o país não aceitarão que, por mais um ano, a verba já insuficiente para garantir uma expansão de qualidade das escolas federais seja reduzida”.

rebeleseJá para a 1° vice-presidente da UNE e militante da UJR, Katerine Oliveira, a situação exige muita resistência e luta por parte dos estudantes. “Não aceitaremos, sob nenhuma hipótese, esse corte no orçamento da educação. Será necessário muita unidade e luta por parte do movimento estudantil, dos servidores, docentes e do apoio de toda a sociedade. A juventude já mostrou sua capacidade de mobilização, e sem dúvidas, iremos às ruas para dizer não a esse ataque a educação brasileira. Tivemos experiências extremamente vitoriosas nos últimos anos, e com certeza a juventude brasileira vai defender os seus direitos”.

Essa é uma luta que está apenas começando, e a organização e disposição ao enfrentamento por parte da juventude serão decisivos para barrar o corte na educação e demais áreas sociais. Todos às ruas e à luta para defender a educação!

Coordenação Nacional da UJR

Bolsistas da UFRGS fortalecem luta por mais direitos

No segundo semestre do ano passado estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) começaram a construir a campanha por melhores condições de trabalho em suas bolsas. Desde 2010 a bolsa não recebe reajuste e permanece em apenas R$ 400,00. Há 5 anos este valor foi estabelecido na tentativa de equiparar ao salário mínimo da época (R$ 545 reais), representando hoje apenas 50,8% do salário mínimo. A luta que teve seu início a partir de quatro assembleias convocadas pelo Coletivo Voz Ativa da UFRGS, em diversos campus, contribuiu com o nascimento do Coletivo de Bolsistas UFRGS. Suas principais pautas são:

 

REAJUSTE DOS VALORES DAS BOLSAS = a bolsa deve possibilitar a permanência na Universidade e muitos precisamos dela: nossa remuneração precisa ser suficiente para que nós, estudantes, possamos ter um teto, nos alimentarmos, comprar os materiais necessários para nossas faculdades (xerox, livros, etc), nos deslocarmos – queremos aumento!
FIM DO ASSÉDIO MORAL AOS BOLSISTAS = por uma política de enfrentamento ao assédio moral aos bolsistas!
FÉRIAS REMUNERADAS = é abusivo que, depois de um ano de trabalho, não tenhamos sequer um mês de descanso sem que isso implique na nossa demissão: queremos férias remuneradas!
ESTABELECIMENTO DE BOLSAS SEM CONTRAPARTIDA PARA OS ALUNOS CARENTES = entendemos que a permanência dos alunos de baixa renda não deve ser condicionada a obrigatoriedade de trabalhar para a Universidade: queremos que alunos de baixa renda possam permanecer aqui!

 

Durante o período letivo realizou-se reuniões, conversas com a Pró Reitoria, Diretórios Acadêmicos, panfletagens e passagem em sala com abaixo assinado – um momento de divulgação do coletivo para os estudantes. No recesso as atividades nas bolsas permanecem, e a situação dos bolsistas, que já não é nada fácil, piorou. O atraso no pagamento impôs que os estudantes tivessem que continuar a rotina de trabalho, mesmo sem receber, para não serem afastados.

 

Esses fatos aumentaram a revolta dos estudantes e fortaleceu a necessidade do Coletivo e da luta para garantir nossos direitos frente as atrocidades impostas pela Reitoria. A campanha de denúncias da situação ganhou corpo e surgiram inúmeros apoios, ao mesmo tempo a reitoria tentou proibir o coletivo de divulgar materiais.

 

DSC00985No dia 23/02, mesmo com a universidade não funcionando, mais de 60 estudantes participaram da Assembleia-Ato com pauta de paralisação e greve. A indignação pela forma que a direção da universidade trata os bolsistas (mão-de-obra barata que cumpre a função dos servidores concursados do passado) ficou nítida nas falas. Não permitiram a entrada do carro de som, e mesmo com as ameaças de que “o carro pode até entrar, mas se ligar o som serão responsabilizados”, o coletivo aprovou o uso do som e a agitação aumentou e se espalhou pelo campus.

 

Aos gritos de “Oh oh Reitor/ Não sou otário/ 400 não é salário“, “Na melhor federal do Brasil/ O salário do Bolsista não subiu“, foi realizada uma marcha dentro da universidade, que entusiasmava os técnicos – principalmente os terceirizados. Seguimos até a sede da reitoria. Uma sucessão de falas foram feitas para pressionar a direção a dar o reajuste. O representante da Pró-reitoria de assuntos estudantis (responsável pela permanência estudantil) fez falas tentando transformar a pauta em algo impossível no momento, alegando falta de dinheiro.

 

O Coletivo de Bolsistas da UFRGS se posicionou contrário ao corte de Verba na Educação, em torno de R$ 7 bilhões de reais. O que no orçamento da universidade afeta 30% do financiamento. Também não justifica o não aumento de salário dos bolsistas, visto que a universidade possui contratos milionários com empresas privadas como Gerdau e Monsanto. A UFRGS não rompeu com esses capitalistas. Preferindo assim garantir o lucro do empresário do que a dignidade do estudante trabalhador.

 

Os estudantes já conhecem bem o discurso e não abaixaram a cabeça. Recurso não falta para o terceiro maior PIB do estado. A pressão se manteve e a compreensão de que com mais luta se conquistará o reajuste foi compartilhada. A greve foi uma das propostas levantadas pelos bolsistas. O ato encerrou com o encaminhamento do próximo ato (11/03) e o compromisso de aumentar a mobilização.

 

Só com luta se vence.
Reajuste das bolsas já!

 

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