Arquivo por categoria: Cultura

A FOICE, O MARTELO E A ALFAIA

A música é uma das formas de arte mais cultivadas em todo mundo. Maaca6d80856743b815dd5d26c2429787965esmo que esteja incluída no universo artístico, é errôneo pensar que a música diz respeito apenas ao mundo da ficção, destacada completamente do mundo material e de qualquer função social.

            Pelo contrário, a história mostra que os instrumentos musicais têm finalidades práticas, funcionando como meios de comunicação fundamentais nas organizações político-sociais. Sun Tzu em A Arte da Guerra nos conta da utilização militar de tambores e gongos nas antigas guerras chinesas como forma de coordenar as ações das tropas. No campo de batalha a voz falada não vai muito longe – daí a utilização desses instrumentos de percussão, que já faziam grande diferença estratégica nas guerras há mais de 2500 anos atrás e cujo som é mecanicamente superior à voz humana.

            Há muitos outros exemplos de como a música pode influenciar diretamente o comportamento das pessoas e a coesão de um grupo social.  Os sinos da igreja têm a função de chamar os fieis, ou seja, uma função comunicativa que mantém a unidade da igreja. As cornetas nos quartéis têm a função de garantir a sincronia e disciplina dos soldados – uma função comunicativa que indica a hora de acordar, comer, dormir etc.,  e que atua no sentido de manter a unidade da tropa. Os jingles eleitorais (músicas de campanha eleitoral) têm a função prática de fazer propaganda e juntar um certo grupo de eleitores em prol da eleição de um candidato. O Hino Nacional Brasileiro tem a função prática de cultivar o amor à pátria, de nutrir no seio dos brasileiros o sentimento de pertencimento e de nacionalidade. Ainda sim, outros hinos tiveram e têm grande importância sócio-comunicativa no Brasil. Na Guerrilha do Araguaia a música fazia parte do trabalho de conscientização das massas e, ao longo da campanha, os camponeses começavam a cantar os hinos revolucionários da guerrilha. Em muitos casos os hinos revolucionários têm caráter informativo e contestatório, funcionando como um meio de expor os objetivos do movimento em questão, como é o caso dos versos bradados nas Jornadas de Junho de 2013: “Se a passagem não baixar, a cidade vai parar!”, ou “Ô Brasileiro, vamos acordar, o professor vale mais do que o Neymar!”. Nas manifestações populares a música é um elemento fundamental que dá unidade e entusiasmo aos manifestantes. O caráter rítmico e repetitivo da música possibilita que todos falem a mesma frase ao mesmo tempo, conferindo um maior alcance à mensagem veiculada.

            É por isso que a música não pode ser entendida como uma obra de arte de museu, restrita ao universo da fruição lúdica. A música é uma arte fluida, multifuncional e de grande potencial revolucionário. A música enquanto comunicação social é uma arma poderosa a ser usada na conscientização da classe trabalhadora e na denúncia do sistema de opressão no qual vivemos. Desde modo, devemos reconhecer a relevância social dos artistas engajados com os interesses do povo como a banda Ponto de Equilíbrio, Gabriel Pensador, Chico Science, MC Demo, Chico Buarque, Facção Central, Lenine, Criolo e muitos outros. Saudamos esses músicos que em algum momento cantaram canções que lançam alguma luz nas contradições da sociedade brasileira, como também saudamos os compositores dos gritos de guerra e dos hinos revolucionários que há muito já compreenderam a música como ela é: uma poderosa ferramenta de comunicação e formação ideológica.

Theo Rabay

Estudante de Cinema da UFPE e Militante da UJR37872 aaca6d80856743b815dd5d26c2429787965

“BRUXA DO 71”: DA GUERRILHA ÀS TELAS DE TV

bruxa do 71 . 2Quem nunca teve momentos da vida assistindo o seriado Chaves? São várias gerações que se divertiram e ainda se divertem assistindo as trapalhadas dos moradores da vila onde Chaves, Kiko, Chiquinha, Seu Madruga e muitos outros personagens viviam. Recentemente uma nova revelação sobre a vida de uma das atrizes do seriado foi publicada no site do jornal chileno El Ciudadano. Angelines Fernandéz, a “Bruxa do 71”, em sua juventude na Espanha, foi uma guerrilheira que combateu a ditadura de Francisco Franco.

Angelines Fernandéz nasceu em 1922, na cidade de Madrid. Como muitos jovens espanhóis, não aceitou as condições de miséria em que o seu povo vivia, por isso participou da luta armada durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), que tinha por objetivo impedir o avanço do fascismo de Franco no país. Após a derrota das forças antifascistas ela permaneceu na luta para derrubar o governo que reprimiu os movimentos sociais, atacou os direito civis e políticos e matou milhares de pessoas na Espanha, além de aumentar a opressão sobre os povos das colônias espanholas na África, como o Marrocos e o Saara Ocidental.

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Em 1947, devido à repressão da ditadura franquista, Angelines foi para o México, onde desenvolveu sua carreira artística. Ela atuou no teatro, em telenovelas e foi pioneira do cinema mexicano, mas foi no papel de “Dona Clotilde” que obteve reconhecimento mundial.  Com sua contribuição para um humor crítico e irreverente, através do seriado Chaves, e sua luta antifascista, a figura de Fernandéz é para toda a juventude um exemplo de grande artista e reforça a importância das mulheres na luta revolucionária.

Katerine Oliveira – 1ª vice-presidente da UNE e Felipe Annunziata – Estudante de História da UFRJ. 

Em defesa da meia-entrada!

Aprovada recentemente na Comissão de Constituição, Cidadania e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei do Senado, de autoria do nada pouco suspeito Eduardo Azeredo (PSDB-MG), visa limitar o direito a meia-entrada em eventos culturais e esportivos ao patamar de 40% dos ingressos.

Sem dúvidas essa é mais uma tentativa de atacar o direito à meia-entrada. Esse direito, conquistado pela luta dos estudantes brasileiros é cotidianamente ignorado pelos produtores de eventos, e o que vemos na prática é que os órgãos de defesa do consumidor não conseguem acompanhar ou fazer valer o direito dos estudantes de pagar 50% no valor dos ingressos.

Há tempos essa tem sido uma luta dos estudantes contra os promotores de eventos, que tentando burlar o direito a meia-entrada se valem de promoções em que todos pagam meia, ou ainda de vender ingresso de meia sem nenhum controle entre estudantes e não estudantes, claro, com preços de meia-entrada que se equivalem a preços de bilheteria normal.

O falso discurso da falsificação das carteiras de estudante

Desde a promulgação da MP 2208, no ano de 2001, houve uma proliferação da emissão de carteiras de estudantes, muitas a partir de entidades criadas por empresários unicamente para ganhar dinheiro sobre os estudantes, tirando a emissão do controle das verdadeiras entidades estudantis em muitos estados.

Mas, com certeza, os produtores não foram os prejudicados, e sim os estudantes, com essa situação. O direito à meia-entrada passou a ser reduzido no dia-a-dia, sem nenhum controle ou fiscalização por parte do poder público. Na verdade os eventos passaram a descumprir deliberadamente o direito à meia-entrada, prejudicando diretamente os estudantes.

O que está pro trás desse Projeto de Lei?

blitzCom base nesse discurso, o Projeto de Lei de Eduardo Azeredo tenta limitar o direito à meia-entrada. Ataca um direito histórico dos estudantes, e cria um limite que na prática dificilmente poderá ser verificado. Se os produtores alegam dificuldades para o controle das carteiras emitidas, como se dará o controle dos 40% de ingressos em cada evento?

Para piorar, as diretorias majoritárias da UNE e UBES passaram a defender a aprovação do projeto unicamente para garantir o monopólio na emissão da carteira de estudante, tirando a autonomia das entidades estaduais, municipais e dos DCE´s, que apenas poderão emití-las se filiadas e em concordância com as mesmas.

É preciso unir os estudantes e o movimento estudantil brasileiro pela defesa da meia-entrada e pela autonomia do movimento estudantil. Esse direito que tanto já foi atacado é decisivo para garantir acesso à cultura para a juventude, que não tem acesso por conta de seus altos preços.

Precisamos garantir o direito da meia-entrada para os estudantes, o controle da emissão de carteiras de estudante estar sob responsabildiade das entidades estudantis, e o poder público, através dos órgãos de defesa do consumidor, acompanhar de parto o cumprimento desse direito, bem como, combatendo as fraudes nas emissões de carteira de estudante.

Em defesa da meia-entrada! Autonomia para as entidades estudantis!

Coordenação Nacional da UJR

Salvador proibe festa de São João por conta da FIFA

sao-joaoO mês de junho, sem dúvidas, é o principal período de festas de toda a região nordeste, marcado por uma grande manifestação popular, que reúne nos bairros populares das grandes e pequenas cidades milhares de pessoas nas quadrilhas, palhoças, tudo isso com muita música e comida típica

Coincidentemente, a realização da Copa das Confederações, que se inicia no dia 15 de junho, ocorrerá no mesmo calendário dessas festivades em três capitais nordestinas: Fortaleza, Recife e Salvador.

E é da capital baiana que chegou, por parte da prefeitura a proibição da realização dos festejos juninos, visando não atrapalhar o evento da FIFA. Segundo a prefeitura essa é uma ordem da entidade máxima do futebol.

Dois moradores, tentando organizar festas de São João na cidade, solicitaram da Prefeitura a licença para a sua realização, mas receberam como resposta da Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo, Sucom, que por conta de uma ordem da Fifa, as licenças durante todo o mês de junho estariam negadas.

As festas ocorreriam nos bairros de Barbalho localizado a 2 km do estádio, e em Periperi que fica a cerca de 16 km afastado da Fonte Nova. Quer dizer, em nada teriam como atrapalhar o acesso de trânsito ou segurança para a Copa das Confederações. Mas será que a apresentação de uma quadrilha pode ameçar o público para os jogos da Copa?

Lei da Copa é um atentado a cultura e ao esporte brasileiro

Dentro da justificativa da Prefeitura de Salvador, está a seguinte informação, de acordo com a Tribuna da Bahia:

“O governo brasileiro assinou o acordo com a entidade e tem que aceitar as regras. Foi assim nos Estados Unidos e na África do Sul. Nos circuitos oficiais como Avenida Paralela, Avenida Bonocô, Orla, Dique do Tororó, Vitória, Ribeira, dentre outros pontos da cidade terão que exibir toda a comunicação visual com os patrocinadores da Copa. A Sucom deverá apreender quem estiver desrespeitando as regras”

Dentre essas regras está a proibição de venda de lanches ou bebidas num raio de 2km dos estádios, tudo para garantir a seus patrocinadores McDonalds e a cervejaria Budweiser, a exclusividade de comercialização. Até o acarajé ficou ameaçado de não poder ser vendido.

Com a famigerada Lei da Copa foram alterados os direitos a meia-entrada, liberado o consumo de álcool nos estádios (apenas durante os jogos da FIFA), e estão proibidas quaisquer manifestação nos dias dos jogos.

Quer dizer, pouco importa a cultura do povo nordestino ou suas tradições. As leis do país então, essas podem ser mudadas sem o menor constrangimento, tudo isso para assegurar o lucro da FIFA, que está estimado em R$ 10 bilhões, enquanto as famosas obras de infra-estrutura urbana continuam sem sair do papel, a exemplo do metrô de Salvador.

Abaixo a Lei da Copa! Dinheiro público para o benefício do povo brasileiro!

Coordenação Estadual da UJR-BA

 

A falsa meritocracia do capitalismo.

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S. Jobs enriqueceu e é tido como um messias da informática.

       Vários ideólogos do sistema capitalista o defendem dizendo que a livre concorrência é a propulsora do conhecimento e da inovação tecnológica, e chegam a afirmar que a chamada “meritocracia” define sua posição social, ou seja, trabalhando muito e bem você será bem sucedido.

       Dennis Ritchie,criador do UNIX e da linguagem C, morreu uma semana depois de Steve Jobs, fundador da Apple ,acontece que a morte deste não teve tanta atenção da mídia. Jobs foi anunciado como o grande transformador da computação, colocado como o pai da nova tecnologia, enquanto Dennis não teve nenhuma notoriedade.

       Agora fato importante é o sistema operacional utilizado nos produtos da Apple, o iOS, são baseados em UNIX, criação de  Ritchie. A  linguagem C utilizada na maioria dos softwares até hoje, e base inclusive para diversas novas linguagens, foi também criação dele.

Dennis Ritchie inventor do C e do UNIX, grande gênio da informatica morreu ignorado pela mídia

Dennis Ritchie inventor do C e do UNIX, grande gênio da informatica morreu ignorado pela mídia

Como podemos ver, apesar de todo seu currículo e contribuição para o mundo da tecnologia, Dennis Ritchie não apareceu como herói, quem apareceu nas capas das revistas, dos jornais e na televisão foi um empresário, que seu único mérito foi ser um bom “marketeiro”, nenhum dos seus produtos seriam nada sem a contribuição de Dennis e outros. Fica então a questão, será que realmente a meritocracia é justa? Será que de fato Steve Jobs teve tamanha notoriedade concedida pela mídia por ser um gênio ou viveu à custa da genialidade alheia?

João  Coutinho, estudante da UFABC  e  militante da UJR.

Milton Santos: a luta por uma outra globalização

Nascido em Brotas de Macaúbas, no interior da Bahia, em 03 de maio de 1926, Milton Santos ficou conhecido no mundo todo por nunca deixar de utilizar a ciência geográfica para pautar as mazelas do capitalismo.

Formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia, ministrava aulas de Geografia em Ilhéus e Salvador. Foi preso pela ditadura militar fascista em 1964 e viveu até 1977 exilado, ministrando aulas em vários países.

miltonsantosQuando volta ao Brasil na década de 70, lança seu livro: “Por uma geografia nova”, que reivindica que se estude e se denuncie as questões sociais.

Juntamente com o professor Kabengele Munanga, foi um dos primeiros docentes negros da Universidade de São Paulo (USP).

Em 1994 recebeu o prêmio “Vautrin Lud”, considerado o Nobel em matéria de Geografia.

Milton Santos nunca deixou de fazer as denúncias da cooptação de intelectuais que emudecem diante das tentações do mercado e dos riscos da globalização, que o geógrafo chegou a denominar globalitarismo. “A capitulação dos intelectuais é um fenômeno internacional já antigo e que se agravou com a globalização. Isso de alguma maneira perdura com a democracia de mercado de hoje.(…) No Brasil, há exceções, mas essa síndrome precisa de uma cura urgente”, afirmou ele em uma entrevista no programa Roda Viva. A crítica à academia que serve ao sistema caminha junto com uma proposta ousada: a produção do conhecimento crítico, emancipador para o ser humano, para a transformação do mundo.

Mas essa transformação, segundo ele, seria papel do povo oprimido, do povo pobre: “As classes médias são confortáveis de um modo geral. O conforto cria dificuldades na visão do futuro. O conforto quer estender o presente que está simpático. O conforto, como a memória, é inimigo da descoberta. No caso do Brasil isso é mais grave, porque esse conforto veio com a difusão do consumo. O consumo é ele próprio um emoliente, ele amolece. Os pobres, sobretudo os pobres urbanos, não têm o emprego, mas têm o trabalho, que é o resultado de uma descoberta cotidiana. Esse trabalho raramente é bem pago, enquanto o mundo dos objetos se amplia”.

Dois anos antes de sua morte, escreve uma de suas últimas obras: “Por uma outra globalização”, que traz uma abordagem crítica sobre o que ele denomina globalização como fábula, que é a ilusão da aldeia global, do acesso ao conhecimento. Milton Santos critica o processo de globalização atual na lógica do capital, que denomina como perverso. A globalização, da forma como está configurada, transforma o consumo em ideologia de vida, fazendo de cidadãos meros consumidores, massifica e padroniza a cultura e concentra a riqueza nas mãos de poucos.

milton-santos4Morreu em 24 de junho de 2001 defendendo uma outra globalização, e hoje nos reforça na luta contra a injustiça e por um mundo muito melhor através de seus escritos. Em suas palavras: “E tanto os pobres como aqueles que são objeto da dívida social, aqueles que já foram incluídos, e depois, marginalizados, acabam por ser o que são: os excluídos. Esta exclusão atual, esta produção de dívidas sociais e de pobreza obedecem a um processo racional, a uma racionalidade sem razão, a uma racionalidade que comanda as ações hegemônicas e arrasta as demais ações. (…) Elas aparecem como se fossem algo fixo, imutável, indeclinável, quando, como qualquer outra ordem, podem ser substituídas por uma ordem mais humanas” (As formas da pobreza e da dívida social, 1999).

No contexto da mais profunda crise econômica e social dos últimos tempos, torna-se cada vez mais importante o estudo e difusão da obra deste importante teórico da Geografia e das Ciências Sociais.

Mariana Mendes é do diretório acadêmico da UFSCar – Sorocaba, onde estuda geografia, e militante da UJR

O que deve ser um jovem comunista

Em outubro de 1960, para o segundo aniversário de unificação das organizações juvenis cubanas em União de Jovens Comunistas, Che Guevara faz o discurso que ficou conhecido como “O que deve ser um jovem comunista”. Nesta fala ressalta a importância de uma juventude organizada que se ponha junto ao proletariado na vanguarda da revolução. Che destaca a honra que cada jovem convocado a integrar a organização revolucionária da juventude deve sentir,  a importância da sensibilidade aliada a um grande sentimento de dever com a sociedade, e seu papel fundamental enquanto integrante da geração que construirá a nova sociedade e o homem-novo. A Coordenação Nacional da UJR convida todos os militantes e simpatizantes a ler este curto mas fundamental texto que expressa bem o modelo de organização de juventude que defendemos e construimos.

Escute aqui parte do discurso em gravação original e leia-o completo em nossa página de formação política.

Conselho de um ausente

Excelente vídeo para o texto “Conselho de um ausente”, escrito por Lênin em 8 de Outubro de 1917. Nessa curta mensagem, Lênin, com infalível sensibilidade e clareza para entender a conjuntura e apontar o caminho a seguir, expressa com firmeza a tarefa imediata do Partido – organizar prontamente o povo para a insurreição armada e a passagem de todo poder aos sovietes.

Renunciar agora à insurreição armada seria renunciar à principal palavra de ordem do bolchevismo – todo poder aos sovietes – e a todo o internacionalismo proletário-revolucionário em geral.

Mesmo que todos nós caiamos, o inimigo não passará!

O texto é lido por Luiz Fernando Lobo, com Felipe Radicetti no piano.

130 anos da morte de Karl Marx, o maior pensador da humanidade.

Homem de Ciência e Lutador Socialista

marx       “…Assim como Darwin descobriu a lei do desenvolvimento da natureza orgânica, Marx descobriu a lei do desenvolvimento da natureza humana […] Marx descobriu também a lei específica que move o atual modo de produção capitalista e a sociedade burguesa criada por ele”. Mas ele não se contentava com os estudos,com as brilhantes conclusões a que chegava como resultado de suas investigações. O que considerava a verdadeira missão de sua vida? “…Marx era, acima de tudo, um revolucionário. Cooperar para a derrubada da sociedade capitalista, contribuir para a emancipação do proletariado. A luta era seu elemento.” (Engels, discurso no túmulo de Marx em 17/3/1883).

       O interesse pelo estudo, pela pesquisa, para entender os fenômenos em sua essência e não apenas em sua aparência, acompanhou desde a mais tenra idade Karl Einrich Marx, que nasceu em Treves (Prússia, Alemanha) no dia 5 de maio de1818. O pai, Einrich Marx e a mãe, Henriqueta Pressburg eram de origem judaica. Os primeiros estudos foram no Liceude Treves, mas ele não se limitava aos ensinamentos da escola. Freqüentava a casa de Ludwig de Westafalen, funcionário do governo prussiano e homem de vasta cultura. Outro fator também atraía o garoto: uma bela menina, Jenny, filha do sábio amigo e também muito interessada em beber na fonte do conhecimento. Com ela, Marx casar-se-ia aos 26 anos e viveria a vida inteira.

      Em 1835, foi para a Universidade de Bonn mas logo se transferiu para a de Berlim,“centro de toda cultura e de toda a verdade”, como a classificava o filósofo Hegel. Foi nela que depois de muito estudo, muita reflexão, se tornou um jovem hegeliano. Marx dedicou-se ao estudo da filosofia, do direito, da história, da geografia e expressava essa ânsia de saber nas cartas ao pai e em poesias.

      Abandonou cedo os estudos de Direito para aprofundar os conhecimentos filosóficos e obteve o título de doutor em1841. Tentou uma vaga de livre docente,mas as universidades prussianas não simpatizavam com livres pensadores.

       A oportunidade de trabalho surgiu quando um grupo de liberais da Renânia fundou um jornal, a Gazeta Renana e convidou os jovens hegelianos para a redação. Constatou então que para escrever sobre questões da atualidade, como as teorias do socialismo francês e as questões agrárias da Renânia, não bastava o saber filosófico, tornando-se necessário estudar a fundo a Economia Política e o Socialismo.

      Os estudos da economia política e do socialismo levaram Marx a romper com a visão hegeliana e aderir ao comunismo. Em outubro de 1843, morando em Paris com Jenny, com quem se casara em setembro daquele ano, escreveu em Anais Franco-alemães, publicação que dirigiu: “…O sistema de lucro e do comércio, da propriedade privada e da exploração do homem, acarreta no seio da sociedade atual, um dilaceramento que o antigo sistema é incapaz de curar porque ele não cria nem cura, mas apenas existe e goza”.

       Anais Franco-alemães publicou um trabalho intitulado Esboço de uma Crítica da Economia Política, que Max classificou de genial. Era de autoria de Friedrich Engels, que por sua vez acompanhava com admiração os escritos de Marx. Os dois se encontraram em Paris em setembro de 1844, ocasião em que nasceu uma amizade e uma parceria ímpares e fundamentais para a elaboração da teoria do socialismo científico (Sobre Engels,veja A Verdade nº 47).

       Até ser expulso da França em 1845, a pedido do governo prussiano, Marx conviveu com os operários, conheceu seus movimentos, os socialistas utópicos e teóricos como Proudhon, com quem estabeleceu uma polêmica.

       Proudhon escreveu A Filosofia da Miséria, obra em que criticava os utópicos, que pretendiam construir uma nova ordem social “sobre os sentimentos paradisíacos de fraternidade, de amor, de abnegação”. Propunha ação concreta, mediante a criação de grupos de produção autônomos, que trocariam entre si os produtos criados por eles, prescindindo da moeda e estabelecendo relações de cooperação e solidariedade. As atividades seriam organizadas de acordo com as necessidades da Comunidade .

       Marx respondeu em A Miséria da Filosofia que Proudhon não compreendeu que as relações sociais entre os homens estão estreitamente ligadas às forças produtivas. No capitalismo, à medida que a burguesia se desenvolve, surge um novo proletariado; uma luta é travada entre a classe proletária e a burguesia, dado o caráter contraditório do sistema, pois as mesmas condições nas quais se produz a riqueza se produz a miséria. A única solução justa, diz Marx, porque provém da situação real, é organizar a classe oprimida para tornar a luta consciente. No decorrer dessas lutas é que nascerá a nova sociedade; aliás, ressalta, isso só poderá se suceder quando as forças produtivas tiverem atingido elevado grau de desenvolvimento.

O Manifesto Comunista e a organização do proletariado

       Expulso de Paris, Marx foi para Bruxelas, onde ingressou na Liga dos Comunistas, organização dos operários alemães imigrados, à qual já pertencia Engels. A Liga definiu seus princípios e atribuiu a Marx e Engels a tarefa de dar-lhes forma e fundamentação teórica. Nasceu o Manifesto do Partido Comunista publicado em 1848, que se tornou a bíblia do movimento operário revolucionário. O Manifesto trata de três temas essenciais:

1- a história do desenvolvimento da burguesia. Sua obra positiva e negativa;
2- a luta de classe e o papel do proletariado;
3- a ação revolucionária dos comunistas.

       Mal é editado o Manifesto Comunista, eclode a revolução de 1848, que destrona a monarquia reinstalada na França pela burguesia, e se espalha por toda a Europa. Marx foi imediatamente preso e expulso de Bruxelas. Engels conseguiu se engajar no movimento revolucionário e participou de várias batalhas. Com a derrota, deixou o país. Ambos foram viver na Inglaterra, Marx em Londres e Engels em Manchester, mas comunicavam-se diariamente e voltaram a ser vizinhos 20 anos depois. Nesse período Marx se dedicou à elaboração de O Capital, sua principal obra, e aos contatos com o movimento operário.MARX E ENGELS II [blog]

      A idéia surgiu da correspondência entre militantes operários da Inglaterra e da França e em setembro de 1864 se fundou a Associação Internacional de Trabalhadores. A mensagem inaugural, redigida por Marx, destaca a necessidade de uma ação econômica e política da classe operária em favor da transformação da sociedade. Marx dedicou-se á Internacional de 1865 a 1871, ano em que ela foi dissolvida, graças à ação dos anarquistas seguidores de Michael Bakunine (ativista russo).

Pai doce, terno e indulgente

       Foi a Internacional que levou o jovem militante Paul Lafargue a conhecer Marx, de quem se tornou discípulo, amigo, admirador e genro, pois se casou com Laura, uma de suas três filhas (O casal Marx/Jenny teve seis filhos – quatro meninas e dois meninos-, dos quais só três meninas sobreviveram [Jenny, Laura e Eleanor]).

       É Lafargue quem detalha aspectos da vida pessoal de Marx, destacando sua energia incansável para os estudos e para a ação. Seu cérebro não parava e durante as caminhadas que faziam no final da tarde, discorria sobre questões relativas ao capital, obra que estava elaborando na época e da qual só redigiu o I Volume, tendo Engels escrito os dois seguintes, a partir das anotações que o amigo deixou.

       Quando cansava do trabalho científico, lia romances, dramaturgia, conhecia de cor as obras de Shakespeare ou álgebra (chegou a escrever um trabalho sobre cálculo infinitesimal). Os domingos eram reservados para as filhas, uma exigência delas. “Pai doce, terno e indulgente, não dava ordens, pedia as coisas por obséquio, persuadia-as a não fazer aquilo que contrariasse seus desejos. E como era obedecido! As filhas não o chamavam de pai e sim de ‘mouro’, apelido que lhe deram por causa de sua cor mate, de sua barba e dos cabelos negros”.

O proletariado tomou o céu de assalto

       Em fins de 1870, o proletariado francês voltava a efervescer e uma insurreição se anunciava. O Conselho Geral da Associação Internacional dos Trabalhadores avaliou que não havia amadurecimento das condições objetivas para assegurar o poder da classe operária e implantar o socialismo e emitiu resolução redigida por Marx, apelando para que “… utilizem, tranqüilamente e com energia, os meios que lhes oferecerem as liberdades republicanas a fim de poderem efetivar a organização de sua própria classe. Isso lhes proporcionará forças novas e gigantescas para a renascença da França e a realização da tarefa comum: a libertação do proletariado”.

       Mas os operários parisienses não deram ouvidos; cansados da política antidemocrática, humilhados, no dia 18 de março de 1871 tomaram o poder e instalaram a Comuna de Paris, anunciando as primeiras medidas de construção de uma sociedade socialista. A duração foi efêmera, mas rica de experiências que Marx consolidaria na sua obra A Guerra Civil na França.

       A Internacional deu todo o apoio possível ao proletariado francês em luta,tanto durante a guerra, como depois, protegendo os exilados e denunciando ao mundo a cruel repressão que a burguesia desencadeou sobre os operários parisienses e suas famílias.

Os últimos anos

        Foram de sofrimento, com as doenças que lhe atingiram e à mulher, Jenny, que faleceu no dia 2 de dezembro de1881. Ao tomar conhecimento do fato, Engels comentou: “O mouro morreu também”. E não se enganava. Já debilitado,com problemas pulmonares , no dia 14 de março de 1883, o genial pensador faleceu repentinamente enquanto repousava numa cadeira em seu aposento de trabalho.

        No sepultamento, sem cerimonial,como era seu desejo, junto à esposa, colaboradora e companheira de toda a vida, Engels discursou: “… É praticamente impossível calcular o que o proletariado militante da Europa e da América e a ciência histórica perderam com a morte deste homem…”

Legado e atualidade do marxismo

        “Os filósofos buscam interpretar o mundo, enquanto nós queremos transforma-lo”, assim diferenciava Marx o materialismo histórico e dialético da filosofia clássica e mesmo da hegeliana. E o marxismo tem sido, de fato, guia para ação dos movimentos revolucionários dos trabalhadores em todo o mundo.

       Apressada, a burguesia comemorou a derrocada dos regimes ditos socialistas da URSS e do leste europeu no final dos anos 80 e início da década de 90 e chegou a propalar o “fim da história”, deixando de observar que a tragédia se deu exatamente porque os dirigentes, atraídos pelo canto de sereia burguês, se desviaram do marxismo que norteou a Revolução Bolchevique de 1917, dirigida por Lênin, um genial discípulo de Marx.

    Mas não demorou e o champanhe foi substituído por lágrimas, em decorrência dos conflitos que se sucederam nos quatro cantos do mundo e atingiram o centro do imperialismo.

        Ao contrário, a evolução do capitalismo só tem comprovado as teses marxistas e seu caráter científico.

Globalização: por que a surpresa?

       Nas suas jogadas de marketing, os teóricos da burguesia e seus meios de comunicação apresentaram a chamada “globalização” como algo novo, avassalador, que suplantaria qualquer resistência e bloquearia qualquer tentativa de transformação social. Ora, o capitalismo tem caráter mundial desde o seu surgimento: o que foram as grandes navegações? A colonização? É de sua essência,como afirmou o Manifesto Comunista, no ano de 1848: “… Pela exploração do mercado mundial, a burguesia imprime um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todos os países.”

         Os fatos recentes comprovam também que quanto mais se desenvolve, mais o capitalismo “forja as armas que o levarão à morte”. A produtividade é cada vez maior, mas o avanço tecnológico que a possibilita produz um exército permanente de desempregados e comprime os salários dos que permanecem na ativa, reduzindo assustadoramente o número de consumidores. Por isso, as crises se repetem em ciclos cada vez menores e atingem tanto a periferia como os países centrais. Seu declínio e a vitória do proletariado são, portanto, inevitáveis.

        Essa vitória não é automática, entretanto. Ela carece da ação do proletariado consciente e organizado enquanto classe “para si”, tendo à frente os comunistas, “parcela mais decidida e avançada dos partidos operários de cada país” e que têm uma visão internacionalista, capaz de fomentar a união mundial dos oprimidos, realizando a conclamação com que Marx e Engels concluíram o Manifesto: “Proletários de todos os países,uni-vos”.

Através dos séculos

        Para finalizar essa tarefa hercúlea, falar sobre Marx em uma página, queda a minha pena, incapaz de expressar algo diferente ou que se aproxime, pelo menos, do que proferiu Engels ante o túmulo em que foi depositado o corpo do grande pensador e herói do proletariado: “…o homem mais odiado e caluniado pela burguesia morreu venerado e querido, chorado por milhões de trabalhadores da causa revolucionária. Seu nome viverá através dos séculos e, com ele, sua obra”.

Luiz Alves
(Publicado no Jornal A Verdade, nº 48)

http://averdade.org.br/2012/04/biografia-de-karl-marx-o-maior-pensador-da-humanidade/

Oscar Niemeyer, Presente!

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Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis Bertold Brecht

 

 

 

 

No dia 4 de dezembro de 2012 faleceu o grande arquiteto e comunista Oscar Niemeyer. O maior arquiteto do Brasil defendeu durante toda a sua vida um mundo mais justo, um mundo comunista. Foi militante do PCB desde 1945 e foram inúmeras as contribuições que deu ao movimento comunista nacional e internacional.

Diversos apoios materiais, financeiros e políticos foram dados por Niemeyer durante esses anos. Doação de sede, abrigo à Prestes quando voltou do exilio, ajuda para rodagem de diversas publicações, doação de um projeto de sede para PCF (Partido Comunista Frances), foi candidato a senador, recebeu o prêmio Lenin na URSS, presidente de associações de amizades com países socialistas, enfim um defensor e propagandista do comunismo em todos os momentos de sua vida.

Inúmeras são as entrevistas, frases, livro que Oscar Niemeyer sai em defesa de seus princípios e de seus heróis, como é o caso de Stalin, grande líder da URSS de 1924 até 1953. Após o XX Congresso do Partido da União Soviética, quando começa uma grande campanha de difamação de Stalin e o inicio do retorno ao capitalismo, grande parte dos Partidos Comunistas no mundo ficam perdidos e acabam se entregando ao reformismo junto ao PCUS.  Niemeyer por sua vez segue defendendo Stalin, denunciando que tudo que dizem sobre Stalin é, na verdade, mentira da burguesia.

Até o fim de sua vida Niemeyer não vacila nas suas convicções e por isso merece ser visto hoje como um exemplo de homem, de arquiteto e de comunista. Um homem fiel aos seus princípios durante toda a sua vida.

 

Frases Niemeyer

“Fui sempre um revoltado. Da família católica eu esquecera os velhos preconceitos, e o mundo parecia-me injusto, inaceitável. Entrei para o partido comunista, abraçado pelo pensamento de Marx que sigo até hoje”

“Não é o ângulo reto que me atrai. Nem a linha reta, dura, inflexível criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu país. No curso sinuoso dos sentidos, nas nuvens do céu. No corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo”

A vida não é justa. E o que justifica esse nosso curto passeio é a solidariedade”

“Meu avô, que foi ministro do Supremo Tribunal, morreu sem um tostão. Achei bonito ele morrer assim. Já disse que teria vergonha de ser um homem rico. Considero o dinheiro uma coisa sórdida”

“Cem anos é uma bobagem, depois dos 70 a gente começa a se despedir dos amigos. O que vale é a vida inteira, cada minuto também, e acho que passei bem por ela”

“O que nós queremos na arquitetura, com a mudança na sociedade, não é nada especial. As casas de luxo serão menores. Os grandes empreendimentos urbanos, os cassinos, os teatros, os museus. Tudo isso será maior ainda porque todos deles poderão participar. Não basta fazer uma cidade moderna. É preciso mudar a sociedade”

Toda escola superior deveria oferecer aulas de filosofia e história. Assim fugiríamos da figura do especialista e ganharíamos profissionais capacitados a conversar sobre a vida

“Eu não acredito em nada. A ciência explica tudo, ela traz a verdade. Ela nos mostra como tudo começou. Acho que agora não há uma razão para caminhar nessas fantasias”
Entrevista concedida em dezembro de 2009

“A minha vida não tem nada de especial. É a de um ser humano, assim, insignificante que atravessa a vida, que é um sopro.”

“Você tem que pensar na política, a política é importante. Você tem que pensar na miséria. E quando sentir que a coisa está ruim demais, e a esperança fugiu do coração dos homens, aí é revolução.”
Entrevista divulgada em 2007

“Eu nasci comunista. Meu avô foi ministro do Supremo Tribunal por muitos anos. Quando ele morreu só ficou a casa em que morávamos, hipotecada. Por isso tenho muito respeito pelo meu avô Ribeiro de Almeida, porque ele foi um sujeito importante na vida pública, mas morreu teso.”
Entrevista divulgada em 2007

“Não acredito em globalismo (globalização), não acredito em nenhuma dessas invenções dos americanos. Só acredito que eles querem invadir a Amazônia.”
Entrevista divulgada em 2007

“Mais importante do que a arquitetura é estar pronto pra protestar e ir à rua, isso que é importante, é o sujeito se sentir bem, sentir que não é um merda, que ele tá ali pra ser útil…”
Entrevista divulgada em 2007

“O pobre mesmo, que vê o prédio moderno, se espanta com a forma e tem seus momentos de emoção. Depois ele sabe que não vai participar, que não participa de nada. Nós trabalhamos para os donos do dinheiro.”

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