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Violência mata 29 crianças e adolescentes por dia no Brasil

O nível de violência no nosso país tem tornado-se assustador. O assassinato da juventude, em especial os jovens negros, parece acelerar de maneira desmedida. Antes isso fosse realmente uma sensação, uma mera aparência, senão dados reais de uma sociedade que está exterminando sua juventude.

Um estudo elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), divulgado nesta quinta-feira (30/06), revelou que em apenas três décadas o número de mortes de crianças e adolescentes, entre zero e 19 anos de idade, cresceu 475% e segue em tendência de alta.

Para ficar mais claro, podemos comparar que acontecem diariamente mais de três vezes o número de mortos na chacina da Candelária (massacre ocorrido em 1993 que chocou o país). Isso quer dizer que o Brasil mata 29 crianças e adolescentes a cada 24 horas, ou seja, uma criança e adolescente é morta a cada 50 minutos, em média.

As mortes analisadas no estudo são por conta de homicídios, suicídios e mortalidade por acidentes de transportes. Dentre elas, a que mais extermina a nossa juventude têm sido os homicídios, o que coloca o Brasil na terceira posição em homicídios de crianças e adolescentes de 85 países analisados.

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 O que gera tantas mortes?

A raiz de tamanha desgraça tem nome, e chama-se capitalismo. Um sistema que tem como questão central a ideologia do individualismo, que nos bombardeia com a ideia de que precisamos crescer, estudar, trabalhar e olharmos apenas para nosso umbigo, e que ao menos tempo não nos oferece as condições mínimas para isso, transforma naturalmente a sociedade em uma tamanha barbárie.

Essa juventude que tem sido morta dentro do capitalismo é a mesma juventude que consequentemente é vítima das suas mazelas. A falta de uma escola pública de qualidade, o não acesso à cultura, ao lazer, a uma educação que a liberte, o desemprego, em suma, tudo aquilo que o sistema capitalista nega aos jovens nos ajuda a entendermos o mundo em que vivemos.

Por sua vez, essa matança tem público-alvo e cor da pele. Infelizmente, o estudo também nos releva que no geral esses jovens são os negros, pobres, moradores das favelas do nosso país. Proporcionalmente, morrem quase três vezes mais jovens negros do que brancos.

Não se pode esquecer que só em junho deste ano houve dois casos de grande repercussão. Duas crianças, Italo e Waldik, foram assassinadas em São Paulo em menos de duas semanas. Uma delas tinha 10 anos de idade e a outra apenas um ano mais velha. O que existia de comum entre elas? As duas eram negras, pobres e foram vítimas da violência policial.

Em novembro do ano passado, na cidade de Fortaleza/CE, capital de maior índice de homicídios contra crianças e adolescentes (651 mortos em 2013), ocorreu mais um caso que jamais podemos esquecer. A chacina de Messejana matou onze pessoas e nove eram garotos menores, moradores das favelas da cidade de Fortaleza. Outra questão importante é que a polícia ainda é a principal suspeita de organizar o crime. A policia, no geral, tem tido grande responsabilidade sobre esses crimes.

Transformar radicalmente a sociedade é a saída!

Longe de torna isso algo natural, do nosso cotidiano, é necessário perceber urgentemente que precisamos mudar estruturalmente a sociedade em que vivemos. Porém, para isso acontecer, diferente do que a ideologia dominante nos ensina, é preciso romper o egoísmo, o individualismo, e deixar de lado a luta pelo seu lugar ao sol. Precisamos entender que o sol nasce para todos, e, portanto, não é justo que muitas vidas se percam no meio do caminho, fruto da injustiça de um sistema que beneficia uma minoria de ricos do nosso país.

O sistema capitalismo demonstra cada vez mais sua total incapacidade de resolver os problemas do povo. As políticas que são colocadas para a juventude do nosso país são as de restrição da meia-cultura, o projeto de lei pela redução da maioridade-penal, e nenhuma delas avançam para a sua melhoria de vida. Ora, um sistema cujas riquezas e os meios de produção são gerenciados por alguns, não pode beneficiar a todos.

O socialismo é o único sistema de fato que mudará radicalmente toda essa estrutura. Diferente do capitalismo, o dinheiro do Estado, fruto do trabalho social, servirá para satisfazer as necessidades do coletivo da sociedade, a polícia, longe de servir apenas para proteger alguns, irá consequente salvaguardar todos e o socialismo precisa ser a perspectiva de um futuro melhor à essa juventude.

Nesse sentido, essa transformação precisa se dar o mais rapidamente possível, a ponto de não chegarmos num nível em que esse país precisará construir mais necrotérios para a nossa juventude do que mesmo prisões. O genocídio de crianças e adolescentes é inaceitável, culpabilizar estas vítimas é inaceitável, assim como as injustiças sócias que sofremos dia a dia é inaceitável!

É necessário mudar para que não tenhamos mais nenhuma Candelária, nenhuma Messejana, nenhum Jardim Ingá. É necessário perceber que como no diz o rap: “As pessoas não são más, mano, elas só estão perdidas. Ainda há tempo”.

Luanne Mota é militante da UJR