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A batalha de Stonewall e o dia do orgulho LGBT

Durante todo o período da guerra fria, a disputa ideológica entre os campos socialista e capitalista  tomou conta dos mais diversos espaços no mundo. A influência capitalista, em especial promovida pelo imperialismo norte-americano, empenhou-se em promover uma intensa e massiva propaganda anti-comunista, com grande foco na área do entretenimento (produção filmes, músicas, livros, etc).

A partir dos anos 60 , a idealização do “American Way of Life” (estilo de vida americano) passou a ser a grande aposta do imperialismo para descaracterizar as vitorias do socialismo e para desmobilizar os trabalhadores e a juventude do mundo, que viviam um momento de profunda efervescência política e revoluções, diante de uma crise generalizada do capitalismo.

Uma das agitações centrais da farsa do “modo de vida americano” era a colocação do socialismo enquanto um regime ditatorial que não permitia a liberdade de expressão e não garantia as liberdades individuais para as pessoas, como supostamente era garantido nos países capitalistas.

Porém a realidade está bem longe do que se passa nos filmes de Hollywood.  Este mesmo país que se coloca como modelo de liberdade, promoveu e promove feroz perseguição aos movimentos sociais, nunca garantiu o direito de greve e manifestação política, sempre perdeu e matou aqueles que se levantaram contra o governo reacionário, mantinha na época práticas institucionais extremamente racistas e promovia uma perseguição sistemática ao movimento negro.

Liberdade? Só para os ricos, donos de multinacionais e bancos, a quem o governo norte-americano jamais deixou de sustentar com os frutos dos esforços dos trabalhadores estadunidenses e dos países submetidos ao seu poderoso controle econômico.

Um dos exemplos de luta contra as opressões praticadas pelo estado burguês norte-americano foram as batalhas de Stonewall, que ocorreram no final no mês de junho de  1969, num bairro pobre de Manhattan/NY. Stonewall Inn foi uma casa noturna periférica, frequentada principalmente por pessoas LGBTs pobres, que não tinham acesso aos glamorosos e excessivos cassinos e bares LGBTs já nessa época difundidos aos quatro cantos do mundo como espaços de liberdade e inclusão.

Lá as batidas policiais eram constantes, e não eram raros os casos de assédio moral, espancamento, estupro, e até assassinatos, já que LGBT era visto como abominação.  A violência do estado era respaldada por discursos conservadores que ecoavam dentro do parlamento, embasados na defesa da “família” (essencial para a manutenção do estado capitalista).

Nas primeiras horas do dia 28 de junho de 1969, no momento de mais uma abordagem violenta da polícia fascista de Nova York, centenas de jovens cansados de serem oprimidos se rebelaram: armaram-se de paus e pedras e mantiveram uma enfrentamento que durou vários dias, repelindo a polícia. Esse ato de resistência deu origem, poucos dias depois, a realização da  primeira parada do orgulho LGBT, que naquele momento se traduzia numa importante ferramenta de resistência à recorrente opressão que eram vítimas. Desde então, atos políticos são organizados ao redor do mundo no mês de junho para celebrar o Dia do Orgulho LGBT, lembrando da rebelião de Stonewall com um marco na história da luta pelos direitos LGBT.

É certo que havia ainda, nesta época, uma grande incompreensão em todas as partes do mundo acerca da homossexualidade e mesmo das demandas da população LGBT. A própria OMS (Organização Mundial de Saúde) considerava o comportamento homossexual como doença, o que norteava o entendimento de diversos países do mundo. Essas lutas contribuíram para que desde 1990 a homossexualidade fosse excluída dessa lista de doenças, um passo importante para o reconhecimento de milhões de indivíduos enquanto sujeitos. Mas ainda falta muito para a comunidade LGBT alcançar liberdade dentro da sociedade burguesa.

A luta pela emancipação dos povos e de qualquer segmento explorado e excluído, deve ser a luta pela destruição do sistema capitalista. Pessoas LGBT não são meramente um mercado, como considera o imperialismo. O exercício da liberdade destas pessoas não pode ser restrito à boates e bares específicos, sendo que uma minoria possui dinheiro para frequentar. Recentemente ocorreu um atentado em Orlando (EUA), no último dia 12 de junho, no qual um atirador entrou numa casa noturna destinada ao público LGBT e latino e assassinou mais de 50 pessoas metralhadas, deixando outras 50 feridas. É essa a liberdade ainda propagandeada pelos países capitalistas.

No Brasil, uma pessoa LGBT morre a cada 28 horas. A comunidade LGBT continua sendo assassinada e agredida nas ruas, ocupando os piores e mais precários postos de trabalho, e a homofobia sequer é criminalizada. Somos o país que mais mata travestis e transexuais no planeta, e seguimos com um parlamento reacionário, onde boa parte dos deputados foi eleito sustentado pelo discurso retrógrado, machista e LGBTfóbico de defesa da “família” – indivíduos estes que não se cansam de atacar a todo o momento os direitos dos trabalhadores e da juventude brasileira.

VIVA A BATALHA DE STONEWALL
PELA CRIMINALIZAÇÃO DA LGBTFOBIA!

Marcio Leite Brito é militante da UJR