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Supercomputador brasileiro será desligado por falta de recursos

A situação da Ciência e Tecnologia no país segue de mal a pior. Na última semana foi noticiado, através de reportagem da CBN, que o supercomputador “Santos Dumont” adquirido a um custo de R$ 60 milhões, foi desligado por falta de recursos para o pagamento da conta de luz.

Com a política de cortes nos ministérios, o valor do pagamento da conta de luz, aproximadamente R$ 500 mil ao mês, chegaria a consumir quase 80% do orçamento do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), e a direção do laboratório chegou a decisão do desligamento da máquina.

Para que serve um supercomputador?

Os supercomputadores estão concentrados basicamente nos EUA e China, e servem para pesquisas, simulações e projeções que exigem grande capacidade computacional. O Santos Dumont tem uma capacidade de processamento estimada em até um milhão de vezes a de um notebook comum, e sua chegada ao país serviu de estímulo a todos os pesquisadores do LNCC, em Petrópolis-RJ.

Desde sua chegada, o Santos Dumont vinha sendo utilizado para pesquisas na área da biologia, saúde e mesmo na exploração do pré-sal. Pesquisas desenvolvidas sobre o zika vírus, dengue e tratamento do Mal de Alzheimer, por exemplo, terão que esperar, e mesmo as consequências para o funcionamento da máquina com o seu desligamento, ainda não estão previstos.

Quer dizer, estudos que poderiam refletir diretamente na melhoria da vida da população passam a ficar suspensos, ou terão atraso considerável em seus resultados, em consequência da política de corte de recursos adotado nos últimos meses pelo governo federal.

Ciência e Tecnologia a serviço do povo!

Mais uma vez vemos o quanto o abandono da política de Ciência e Tecnologia representa atrasar as condições de vida da população e, ao limitar nossa capacidade de pesquisa e desenvolvimento, nos mantém refém das grandes potências que detém o conhecimento científico de forma privada.

Tem sido recorrente na política de cortes a partir do ajuste fiscal, a secundarização da pesquisa e da ciência. Num país como o Brasil, de grande diversidade e potencial, investir na Ciência e na Tecnologia é apostar num projeto diferente de nação, capaz de atender à crescente demanda de avanços técnico-científicos e sua devida aplicação em benefício do povo.

No entanto, os interesses das grandes empresas, em particular as estrangeiras, é de manter o país como exportador de commodities e importador de tecnologia, e nesse sentido as ações desenvolvidas nos últimos anos, e agravadas no golpista governo interino com a junção do Ministério de Ciência e Tecnologia com o Ministério das Comunicações (nas mão do Gilberto Kassab, PSD-SP), seguem na contramão desse projeto.

É preciso romper com essa dominação cultural e tecnológica que estamos submetidos, e para construir um país soberano e capaz de superar seus obstáculos, precisamos avançar com as pesquisas e investimentos em Ciência e Tecnologia, livres da pressão do capital e comprometido com os interesses do povo brasileiro.

Rafael Pires é membro da Coordenação Nacional da UJR