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Futebol brasileiro segue de mal a pior

Os últimos resultados futebolísticos da seleção brasileira não empolgam ninguém. Longe de ter acontecido o “apagão” contra a Alemanha, tese defendida pelo então técnico Felipão para justificar o fatídico 7×1 na Copa das Copas, continuamos amargando resultados vexatórios: Copa América, eliminatórias, e achando pouco Dunga resolveu que irá treitar a seleção olímpica, quase que para garantir a sua demissão e o rol das vergonhas futebolísticas.

Mas não é só nos campos que nosso futebol tem deixado a torcida frustrada. Em Brasília as ações para o andamento de uma CPI são barradas cotidianamente, deixando cada vez mais claro que as investigações vindas dali, quando ocorrem, são extremamente seletivas.

Com uma série de dirigentes com pedido de prisão solicitado em outros países, e novas denúncias como a destinação de R$ 600 mil dos cofres da entidade para bancar a campanha eleitoral de um de seus vice-presidentes, a CBF está hoje sob o comando do Coronel Nunes, que assumiu com mais uma manobra do licenciado Marco Polo. Ao que parece ainda estamos longe de qualquer democratização no órgão máximo do futebol brasileiro.

Nas ruas, o sentimento de paixão pelo esporte é trocado por agressões e a crescente violência. Apenas em 2016 já foram 5 mortos em confrontos entre torcidas, a última no jogo entre Corinthians e Palmeiras, numa situação que parece não ter fim.

merenda

Aproveitando da situação, e valendo-se do sentimento de comoção com mais uma vítima dessa selvageria, o Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Alexandre de Morais, determinou jogos de torcida única até o final de ano nos clássicos (jogos envolvendo Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos), identificação da compra de ingressos, e proibição de adereços, faixas e bandeiras de quaisquer torcidas organizadas.

Vale lembrar que desde o início do ano, tem causado constrangimento as autoridades paulistas e a toda poderosa Rede Globo, as faixas e denúncias levadas a campo, em especial pela torcida Gaviões da Fiel, questionando o roubo da merenda das escolas e as imposições da rede que detém os direitos de transmissão dos jogos no futebol brasileiro.

pmQuer dizer, o que está em jogo não é a segurança das pessoas, mas uma clara tentativa de impedir novas manifestações, até porque os confrontos em mais de 80% dos casos ocorrem nos arredores dos estádios, situação que em nada será atingida por essas medidas.

É preciso combater a violência entre os torcedores, sem dúvidas, mas o governo de São Paulo, grande promotor de violência contra a população, basta lembrar das chacinas realizadas em 2015 nos bairros de periferia e os seus autos de impunidade, não está de bobo nessa história.

O futebol brasileiro agoniza, e é preciso unir os torcedores e amantes do esporte para uma mudança drástica nesse cenário. Em campo ou fora dele, nada a comemorar.

Nivaldo Tássio