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A violência contra a mulher, NÃO É O MUNDO QUE A GENTE QUER!

Entre os dias 25 a 27 de março se reuniram na UFF em Niterói – RJ, mais de 2 mil mulheres para o 7º Encontro de Mulheres Estudantes – EME da União Nacional dos Estudantes – UNE. Com o tema “A cultura feminista transformando o Brasil” mulheres de coletivos, opiniões e organizações diversas discutiram a conjuntura política do país, a violência, educação sexista, cultura, cyberfeminismo, aborto, políticas públicas para as mulheres, direito a cidade, feminismo antirracista, assistência estudantil, saúde, protagonismo feminino no movimento estudantil, LBT`s, entre outros…

O principal debate que permeou todos os outros foi a conjuntura política, na qual se tem observado muitos ataques aos direitos das mulheres e atrasado o avanço de suas bandeiras. A denúncia do golpe e a luta contra o retrocesso deram o tom do evento, considerando que esta é também uma luta das mulheres.

Exemplos como a aprovação do estatuto da família, do estatuto do nascituro, o PL5069 e a aprovação da reforma da previdência, provam o quanto as mulheres devem estar inseridas nos debates políticos do país. No geral, a avaliação da conjuntura foi que não se pode permitir o golpe da direita e do fascismo, bem como não se pode aceitar o corte de direitos e a diminuição dos investimentos nas áreas sociais como saúde, educação, moradia, etc. A saída deve ser pela esquerda!

A mesa sobre a violência contra as mulheres foi um espaço de intensa luta política contra o machismo, assédio e violência física e sexual dentro das universidades e dos movimentos sociais. Como a violência é uma das principais agressões sofridas pelas mulheres nesse sistema, tanto que cerca de 67% das universitárias reconhecem já terem sofrido algum tipo de violência dentro das universidades segundo a pesquisa do Instituto Avon 2015, esse foi um debate bastante procurado. Deste debate saiu uma moção de repúdio a violência nos espaços do movimento estudantil.

As estudantes e mulheres presentes no evento participaram ativamente dos debates, dos espaços culturais com conteúdos também feministas e com muita agitação puxaram palavras de ordem com as baterias de mulheres pelo fora Cunha, contra a violência e por mais direitos.

À convite da União da Juventude Rebelião- UJR/ Rebele-se e do Movimento de Mulheres Olga Benário mais de 120 meninas de coletivos e movimentos de várias universidades marcaram presença com a participação nas mesas, nos grupos de debates, nas intervenções, panfletagens, palavras de ordem e exemplos de que o feminismo deve ser prático e com caráter de classe.

Ao final do evento foi lida a “Carta de Niterói” que resume o que foi evento e suas decisões e foram lidos os documentos consensuados pelas estudantes. Entre as moções foram aprovadas uma em memória a estudante de biologia da UnB, Loise Ribeiro, de 20 anos, assassinada na semana do 8 de março; moção contra lei antiterrorismo; Carta a presidenta Dilma pela legalização do aborto, pela garantia dos nossos direitos sexuais e reprodutivos; Moção de apoio pela educação pública nas escolas; em memória a um ano do massacre dos professores no Paraná; Moção pelo Fora Cunha e Moção contra a violência das mulheres.

12891014_1032776966789899_3433240703684975460_oApós a plenária final as estudantes saíram em manifestação pelas ruas de São Domingos, bairro onde fica localizada a UFF, fazendo intervenções pela vida das mulheres, contra a violência, contra o golpe e contra a ditadura militar e qualquer retrocesso da democracia. Nesse momento foi realizado um importante ato em memória de Telma Regina, estudante de Geografia da UFF assassinada pela ditadura.

O encontro se caracteriza por um espaço de grande discussão feminista sobre vários aspectos, que abrange uma diversidade de defesas do feminismo e um espírito de solidariedade entre as mulheres. É também um espaço de formação e construção política das mulheres e de disputa de consciência. Várias estudantes demonstraram uma grande vontade de se aprofundar nesse debate e se engajar nos movimentos e nas organizações feministas. É um lugar de protagonismo das mulheres que mostra o quanto elas podem e devem ocupar os espaços públicos e de liderança e romper com a lógica patriarcal e machista da sociedade.

A revolução será feminista ou não será!

É pela vida das mulheres!!

Samara Martins – Militante da UJR e Diretora de Mulheres da UNE