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Combater a cultura da violência dentro das universidades brasileiras

A reprodução da violência, do machismo e do conservadorismo nas universidades ocorre cotidianamente, mas a luta e o processo de conscientização de estudantes e de toda a comunidade universitária vem crescendo de norte a sul do país. No mês de junho, estudantes de diversos coletivos do movimento estudantil e centros/diretórios acadêmicos da Universidade Federal de Viçosa se uniram no combate a essa pauta dentro do campus.

O estopim da indignação ocorreu quando o professor Joaquim Lannes, do departamento de comunicação da UFV, publicou em seu perfil do facebook, na segunda feira do dia 15 de junho, uma noticia falsa do titulo: “Juiz solta ladrão e é assaltado por ele na saída do Fórum.”, seguido do seguinte comentário: “Bem feito. Tomara que futuramente este marginal entre na casa do juiz estupre a mulher dele, a filha e outras mulheres da família dele. Aí quem sabe ele possa ver quem merece ficar solto e quem merece ficar preso. Bem feito.”.

11657316_10204431107839099_1636595386_n(1)Mesmo diante de um apertado calendário acadêmico, o ato realizado no dia 19 de junho reuniu cerca de 70 estudantes dos diversos cursos da UFV que mostraram sua indignação com a omissão da universidade diante das denuncias de estupro, abuso, assédio e discriminação, que são frequentes no dia a dia da instituição.

Infelizmente casos como esse não são isolados. A naturalização da violência contra a mulher é cada dia mais presente na nossa sociedade. Mais de cinquenta mil mulheres são estupradas por ano e a cada cinco minutos, uma mulher é agredida.

As violências psicológicas, físicas e sexuais que ocorrem todos os dias estão diretamente ligadas a forma como a nossa sociedade se organiza e como entende as relações de poder. Vivemos em uma sociedade machista e patriarcal onde a mulher ocupa um lugar secundário e submisso ao homem.

As mulheres são retratadas diariamente como objetos sexuais e de domínio masculino. As mulheres são culpabilizadas por toda a violência que sofrem e em sua grande maioria não recebem qualquer tipo de amparo.

Posicionamentos como esse do professor reforçam a naturalização dessas ações. Ele, enquanto professor de uma universidade federal e chefe do Departamento de Comunicação da mesma influencia diretamente diversas pessoas dentro do ambiente universitário, e ao colocar o estupro como uma medida punitiva, legitimar a posse do homem sobre a mulher e todas as violências que a mesma sofre, naturaliza todas essas agressões reforçando esse entendimento entre as pessoas que o cercam.

 A universidade que queremos não pode servir como um mecanismo de reforço às violências, opressões e discriminações da nossa sociedade. Ela deve servir como um espaço de desconstrução de toda essa lógica.Quando a universidade e a comunidade acadêmica omitem de se posicionar diante desses casos elas consentem e compactuam como toda a violência existente no ambiente universitário.

 É preciso por fim a cultura da violência e do estupro dentro e fora das universidades brasileiras, que hoje são compostas em sua maioria por mulheres. É preciso manter a articulação e a unidade do movimento estudantil e de toda a comunidade acadêmica para que as mulheres vítimas de casos de violência sintam-se seguras para denunciar. É necessário que tenhamos mecanismos de denuncia que realmente funcionem e que tomem as medidas cabíveis e necessárias a esses casos.

Chega de impunidade nos casos de opressão e violência no campus universitário!

Machistas não passarão!

Shara Narde – Integrante do Movimento Rebele-se UFV e militante da UJR