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Viva o Dia Internacional da Mulher

Dia de flores e chocolates?

Não é incomum no dia 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, que a mídia, o comércio, empresas, entidades e instituições incentivem a distribuição de flores, presentes e chocolates. As homenagens às mulheres são feitas por conta da sua beleza, meiguice, instinto maternal, etc. Quando se homenageiam mulheres “trabalhadoras”, estas são apresentadoras de TV, modelos e atrizes. E através delas se exalta a fictícia emancipação das mulheres.

O Dia Internacional das Mulheres surgiu em um contexto de luta das mulheres trabalhadoras. E apesar dos avanços já conquistados pelas mulheres advindos da organização de movimentos feministas, essa luta ainda não acabou. A sociedade ainda é machista e esse machismo tem oprimido, discriminado e matado inúmeras mulheres todos os anos. Vários dados atuais da situação da mulher provam a necessidade da luta: as mulheres ainda recebem cerca de 30% menos que os homens cumprindo a mesma função, no mundo, 70% das pessoas que vivem em pobreza absoluta são mulheres. Entre as 774 milhões de pessoas analfabetas, 551 milhões são mulheres. Dos lares chefiados por mulheres 70% não tem água potável e esgoto sanitário e 75% dessas chefas- mulheres não são proprietárias de sua moradia.

violencia-contra-mulheresNo que se refere à violência a mulher, os casos só têm aumentado, e a lei Maria da Penha ainda é insuficiente. No Brasil pesquisas mostram que a cada 2 minutos, 15 mulheres são agredidas fisicamente, mortas ou mutiladas. Isto significa que, pelo menos, 7,2 milhões de brasileiras com mais de 15 anos já sofreram algum tipo de violência. São denunciados mais de 50 mil estupros por anos no país e cresce o número de estupros nas universidades do Brasil, bem como atitudes machistas e ofensivas às mulheres em trotes e festas universitárias, como exemplifica as recentes notícias dessa natureza, que repercutiram na mídia, ocorridas na USP, UFMG e Universidade de Columbia – EUA. Em um desses casos (UFMG), estudantes de direito cantavam a “musiquinha” com o seguinte refrão: “não é estupro, é sexo surpresa”.

As mulheres jovens, nessa sociedade capitalista, são hipersexualizadas. Esse fato se observa, por exemplo, no período do carnaval, onde a comercialização do corpo das mulheres negras e jovens se transforma em prática “normal” e aceitável. As “novinhas” do funk são objetos sexuais e dessa forma todas as mulheres estão “disponíveis” aos homens e se a roupa for considerada vulgar ela “merece ser estuprada”. As marcas de cerveja, carro, pneu, etc., usam a imagem da mulher para vender suas mercadorias, ou vender as próprias mulheres. E transformadas em um produto, um bem de consumo, se tornam propriedade de um homem.

Diante dessa realidade a luta das mulheres é urgente e inevitável. Nessa conjuntura, o dia 8 de março não deve ser um dia apenas de flores e doces, mas sim de luta. As mulheres não estão emancipadas, não estão livres de fato. O sistema político e econômico em que vivemos, o capitalismo, oprime, esmaga as mulheres, pois perpetua a ideologia do machismo, do patriarcado, a cultura do estupro.

Portanto, combater o capitalismo significa combater toda a sua ideologia, o machismo, o racismo, a homo e lesbofobia. No dia 8 de março, a União da Juventude Rebelião – UJR junto ao Movimento de Mulheres Olga Benário convoca todas as jovens mulheres, estudantes, trabalhadoras, donas de casa, a estarem nas ruas do país reivindicando a igualdade de direitos e de salário, o respeito, o fim da violência e da discriminação, o direito à maternidade, o direito ao seu próprio corpo, mais creches, mais casas – abrigo, delegacias da mulher 24 hs, etc.

A luta das mulheres avança! Lute você também! Viva o Dia Internacional das Mulheres! Viva as mulheres que lutam!

“São flores, são armas!
Mulheres em ação
Unidas na luta
Pela revolução!”

Samara Martins – UJR – RN